
Imagem meramente ilustrativa / Reprodução: Diário de Pernambuco.
Nove assassinatos por dia em Pernambuco. Essa é a média
de homicídios na série histórica de dados contabilizados este ano no estado,
entre janeiro e setembro.
O site oficial da Secretaria de Defesa Social (SDS)
aponta o registro de mais de 2.600 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs)
em 273 dias.
Em setembro deste ano, foram registrados 311
assassinatos. Se comparado com o mesmo período do ano passado, o aumento foi de
40%. No mesmo mês de 2022, foram 222 casos.
No comparativo entre o total de assassinatos de janeiro a
setembro deste ano, em relação ao mesmo período de 2022, o aumento foi de 3,3%.
Nos nove primeiros meses deste ano, aconteceram 2.625
homicídios. No mesmo período do ano passado, foram 2.540. O estado fechou o ano
de 2022 com o total de 3.418 assassinatos.
Em meio aos números de assassinatos, o Governo de
Pernambuco ainda não colocou em prática, de fato, o programa "Juntos pela
Segurança", aguardado pela população.
Ele faz parte do programa de segurança pública e foi
lançado pela governadora Raquel Lyra (PSDB) no final de julho. A solenidade
reuniu diversas autoridades da segurança pública. No entanto, até esta terça
(10), o pacote de ações ainda não foi detalhado pelo Executivo Estadual.
Vale lembrar que, em menos de dez meses de gestão, a
segurança pública trocou de comando. A delegada federal Carla Patrícia Cunha
deixou a SDS e foi substituída pelo delegado federal Alessandro Carvalho, que
também liderou a pasta na gestão do PSB, que comandou Pernambuco por 16 anos.
Em meio ao aumento da criminalidade, nesta quarta-feira
(11), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, vêm a Pernambuco
para anunciar ações para o reforço na segurança no estado.
A ideia é lançar bases de duas ações do governo federal,
que são: o Plano de Ação na Segurança (PAS) e o Programa Nacional de Segurança
Pública com Cidadania (Pronasci 2).
A solenidade, que contará com a presença da governadora
Raquel Lyra, ocorrerá na Arena de Pernambuco, em São Lourenço da Mata, na
Região Metropolitana do Recife (RMR), às 10h.
Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça
e Segurança Pública (MJSP), as duas iniciativas são executadas pela União por
meio de cooperação com os estados e têm o objetivo de fortalecer a segurança
pública.
Avaliação da segurança
A reportagem do Diario de Pernambuco entrevistou
a coordenadora-executiva do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações
Populares (Gajop), Edna Jatobá.
Considerada uma das principais defensoras da promoção dos
Direitos Humanos no estado, ela avaliou a situação da crescente onda de
violência em Pernambuco refletida nos números de assassinatos no estado.
"A gente desconfia de várias altas camadas sobre
postos que podem estar contribuindo com o aumento da violência letal. Entre
elas está a maior circulação de armas de fogo, que elas tanto podem contribuir
com o aumento de crimes de proximidade, quanto podem contribuir com o aumento
de confrontos em operações policiais. Estamos há nove meses, quase um período
de uma gestação, sem ter nenhum plano de segurança e vivência no Estado",
destacou Edna Jatobá.
Ainda segundo ela, a escalada da violência no estado é um
reflexo da ausência de um maior gerenciamento integrado entre as forças de
segurança pública no estado somado com o atraso no plano de segurança, que
culmina no aumento dos índices de assassinatos.
"Não temos uma coordenação geral, um plano
agressivo, então fica tudo muito frouxo. Fica tudo dentro da atuação ou
discricionariedade de quem está dentro da compreensão do que se deve fazer.
Então se não existem objetivos nítidos, com indicadores também nítidos e
transparentes, como reduzir?", criticou Jatobá.
O que diz o Governo do Estado?
A reportagem do Diario procurou a assessoria de
imprensa da Secretaria de Defesa Social (SDS) na sexta (6), para levantar os
dados da série histórica de homicídios, além de saber quando haverá o anúncio
do detalhamento do Plano Estadual de Segurança e Defesa Social.
Nesta terça (10), a redação entrou em contato novamente para buscar respostas, entretanto, até a publicação desta matéria, não houve retorno por parte da pasta.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.