Publicada em 16/10/2023 às 10h01.
Operação especial captura 122 peixes-leão em Fernando de Noronha durante um mês
Animais foram entregues ao ICMBio. Eles possuem espinhos que contêm uma toxina que pode causar febre, vermelhidão e até convulsões nos seres humanos.

Peixe-Leão / Reprodução: Folha-PE.


Uma operação especial realizada em Fernando de Noronha durante um mês resultou na captura de 122 peixes-leão, espécie que é invasora e venenosa. Os mergulhadores que participaram desse trabalho voluntário entregaram os animais ao Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio).


O instrutor de mergulho Fernando Rodrigues, que comandou o trabalho, contou que a metodologia utilizada facilita o avistamento e a captura dos peixes-leão. “Nós exploramos alguns pontos de mergulhos que não são frequentados na ilha. Tivemos a sorte de nos depararmos com esses animais e fazer a captura”, declarou.


O nome científico do peixe-leão é Pterois volitans. Essa espécie tem espinhos que contêm uma toxina que pode causar febre, vermelhidão e até convulsões nos seres humanos. O animal é predador e pode consumir espécies endêmicas, que só ocorrem nessa região, e causar um desequilíbrio ecológico.


Os peixes-leão entregues ao ICMBio são pesados, medidos e têm amostras recolhidas para exame de DNA. O material é enviado para a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), o Projeto Conservação Recifal e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A análise do DNA é feita na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.


Capturas diárias


A captura do primeiro peixe-leão em Fernando de Noronha aconteceu em dezembro de 2020. Antes dessa operação especial, o ICMBio havia contabilizado 170 animais capturados na ilha. “Isso é preocupante, o peixe-leão é muito bom no que se propõe a fazer. Ele vem, se estabelece, se adapta bem ao ambiente e se reproduz muito”, disse o instrutor.


A bióloga Clara Buck, pesquisadora do ICMBio, contou que foi concedida uma autorização especial de captura na área de Parque Nacional Marinho, uma região onde não ocorre mergulho comercial.


“Esse animal está em processo de invasão, ainda não está estabelecido. A população está crescendo, e a nossa expectativa é que siga em crescimento. O peixe-leão não tem um predador natural, a única forma de controle é esse trabalho dos mergulhadores autorizados a fazer essa captura”, afirmou Clara Buck.


A pesquisadora disse, ainda, que o peixe-leão está em fase reprodutiva. O maior animal capturado na ilha mediu 44 centímetros e pesou 1,2 kg. Os estudos apontam que o maior peixe-leão já registrado no mundo mediu 47 centímetros.


O ICMBio treinou os mergulhadores de quatro empresas que atuam em Fernando de Noronha. Os profissionais fazem o trabalho de captura diariamente, o que ajuda no controle da população do peixe-leão. “Nós temos boa visibilidade e uma média de 25 mil mergulhos por ano. Temos grande capacidade de manter o controle do peixe-leão”, disse a pesquisadora.


Ainda de acordo com ela, o peixe-leão tem se alimentado de espécies nativas e endêmicas de Noronha, mas ainda é cedo para avaliar os estragos causados pelo animal invasor.


Alimentação


A pesquisadora do ICMBio informou que não está descartada a possibilidade de liberação de captura do peixe-leão para alimentação do público geral, como acontece em alguns países no exterior, mas explicou que esse é um processo demorado.


“É um processo que precisa de autorização do ICMBio, do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] e da Vigilância Sanitária. Por enquanto, os animais capturados são direcionados para a pesquisa, e não recomendamos o consumo. Esse momento vai chegar ainda porque o consumo incentiva o manejo”, declarou.


Desafios


Um dos problemas para captura do peixe-leão é a falta de material para que o animal seja recolhido do mar de forma segura.


“É um desafio a confecção do material para captura. Não existem empresas brasileiras que vendam o arpão. Não conseguimos comprar porque o material só está disponível por empresas internacionais. Um órgão federal, como o ICMBio, tem dificuldade de executar esse tipo de compra”, disse Clara Buck.


Por conta dessa dificuldade, os equipamentos são confeccionados de forma artesanal. “Nós desenvolvemos um projeto e aceitamos doações dos materiais usados no manejo do peixe-leão”, contou.


Quem tiver interesse em colaborar com a confecção de equipamentos para a captura do peixe-leão pode entrar em contato com o ICMBio pelo e-mail ngi.noronha@icmbio.gov.br.

 


FONTE: G1.



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