Publicada em 18/10/2023 às 08h44.
Suape aposta na competitividade para voltar a crescer
Um ano após a retomada da autonomia portuária, equipamento ainda busca fim de distorções de mercado, como altas tarifas e queda de clientes.


Complexo soma investimentos na ordem de 74,5 bilhões e projeta crescimento

Reprodução: Diário de Pernambuco. 


A volta da competitividade é a expectativa do Porto de Suape, maior atracador de Pernambuco, diante do anúncio recente de ampliação do terminal e a chegada de novos investimentos.

 

Um ano após a retomada da autonomia portuária, anunciada em outubro de 2022, o terminal ainda busca a solução de problemas antigos, que perduraram durante os 10 anos da chamada Lei dos Portos, medida que tolheu sua autogestão.

 

A esperança agora é pelo fim das distorções de mercado, a exemplo da tarifa elevada, vista como uma das mais altas do país, realidade que afugentou a comercialização e levou a perda de várias linhas.

 

No radar, ainda figura a realização de um concurso público, no próximo ano, a fim de atrair mão de obra qualificada e alavancar mais recursos.


"O nosso olhar tem que ser para frente, em conexão com temas atuais, discutidos em todo o mundo, e integrando a gestão de negócios às práticas sustentáveis e inovadoras. Falando de futuro, nós já temos garantida a duplicação da refinaria Abreu e Lima, considerada a principal obra do novo PAC, e isto vai nos colocar em um novo patamar. Também estamos trabalhando forte para a chegada da ferrovia, quando alcançaremos o potencial de desenvolver terminais especializados como de minério, gesso, atividades na Região do Araripe, além de finalmente entrarmos na rota do agro", afirma o diretor-presidente, Marcio Guiot.

O complexo soma investimentos privados na ordem de 74,5 bilhões, com 83 empresas instaladas, gerando cerca de 20 mil empregos.

 

No ranking atual, é o sexto porto público do Brasil em movimentação de cargas. Para Guiot, a promessa é de ir além, com novas conquistas.

 

"Sairemos das atuais 25 milhões de toneladas movimentadas, anualmente, para 50 milhões de toneladas em menos de 10 anos. Isso é um compromisso assumido", acrescenta.


Conforme o gestor, agora com dois players internacionais, sendo o já presente Tecon Suape, e o mais novo terminal de contêineres da dinamarquesa Maersk, a projeção é de retorno das principais rotas internacionais.

 

"É garantia também da redução de custos", assevera Márcio Guiot, lembrando a pedra no sapato enfrentada pela alta taxação de cargas.  Nesta terça-feira (17), ele participou do Encontro Nacional de Autoridades Portuárias e Hidroviárias (ENAPH), que acontece em Brasília, ao lado de gestores de outras unidades de grande capacidade, como o Porto de Santos, em São Paulo; Paranaguá, no Paraná; Itajaí, em Santa Catarina, assim como o de Manaus, no Amazonas, que vem passando por dificuldades em razão da forte estiagem.


"No Brasil, infelizmente, às vezes, se espera chegar a uma situação de gargalo ou colapso para correr atrás. Se não houver um bom planejamento, os portos públicos podem encarar uma situação duramente crítica. Estamos conseguindo avançar bem na parte de projetos, vamos ver adiante para a execução dessas obras. Nosso interesse é, justamente, nos tornarmos mais resilientes às mudanças que acontecem a cada quatro anos", afirmou Guiot, lembrando o interesse em concentrar mais profissionais, partindo de um programa de intercâmbio e avançando para a realização de um concurso público, já em 2024.

 

"Queremos renovar a nossa equipe técnica e trazer expertises que hoje não temos em casa, a exemplo da transição energética, muito em alta no nordeste", explicou.


Na visão do economista Edgard Leonardo Meira, os investimentos na malha portuária impactam diretamente na geração de renda da população. "Pernambuco lidera o desemprego do país. Para além das vagas diretas, que são geradas na operação, é possível enxergar obras estruturantes e necessárias que, por si só, já geram novos postos de trabalho.

 

Mais do que isso, atingem uma camada da população mais difícil de ser inserida, em razão de uma escolaridade mais baixa. Temos hoje um cenário de desocupação que, por exemplo, o Ceará conseguiu superar. Mas nós ainda nos mantemos presos", explica.


O clima de aparente prosperidade, abrangendo os portos, na esteira trazida pelo presidente Lula, também é avaliado pelo especialista.

 

"É notório que isto esteja acontecendo justamente no momento em que a gente se agarra a uma promessa forte do ramal da ferrovia Transnordestina. É um indicativo que Suape pode começar a ter um novo boom. A chance de aproveitar todo nosso potencial logístico, com elos com mercados do Nordeste e outros pontos do país, e também a proximidade para expandir a navegação para a África e Europa", aponta Edgard, lembrando que o salto no volume de operações também deve refletir nos custos e promover a sonhada redução das tarifas atualmente praticadas no terminal.


Em visita recente ao estado, o ministro dos Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, imprimiu a ideia de que o destravamento de obras viárias  também deve alavancar o desenvolvimento portuário.

 

"Ajudar a mobilidade urbana está aliado ao escoamento da produção. Temos em nossa mira, por exemplo, a  duplicação da BR-423; a conclusão da BR-104, ligando Caruaru e Toritama; e a duplicação da BR-232, de São Caetano até Serra Talhada", pontuou Costa.

 


FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO. 

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