Publicada em 24/10/2023 às 09h08.
Sistema de saúde da Faixa de Gaza "atingiu pior fase da sua história", diz Hamas
Mais de 50 pessoas morreram em bombardeamentos no sul da Faixa de Gaza. Morreram ainda mais seis funcionários da ONU e mais um jornalista. Sistema de saúde a colapsar.



O Ministério da Saúde do grupo islamita Hamas, que controla a Faixa de Gaza, alertou esta segunda-feira que o sistema de saúde do enclave “atingiu a pior fase da sua história” devido ao bloqueio imposto por Israel.


O Ministério avisou que os hospitais estão a ficar sem recursos, incluindo reservas de combustível, pelo que vão ficar sem energia e com as instalações sobrelotadas devido ao elevado número de mortos e feridos, de acordo com um comunicado.


Pelo menos 57 palestinianos morreram esta manhã, na sequência de novos bombardeamentos das Forças de Defesa de Israel contra as cidades de Khan Younis e Rafah, no sul da Faixa de Gaza, disse.


Os ataques a residências e a um posto de gasolina em Khan Yunis, no sul, zona para onde Israel mandou os palestinianos irem, deixaram até agora 23 mortos e 80 feridos, indicou a agência de notícias palestiniana Wafa.


Em Rafah, na fronteira com o Egito, 30 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas depois de o exército israelita ter bombardeado edifícios residenciais, de acordo com fontes palestinianas, estando ainda a decorrer operações de resgate.


Já na cidade de Gaza, o jornalista palestiniano Mohamed Imad Labad morreu num ataque israelita a um local perto da sua casa, no bairro de Sheikh Radwan, elevando para 20 o número de jornalistas mortos desde o início da guerra, em 7 de outubro.


Pouco depois, o jornal palestiniano Filastin, ligado ao Hamas, anunciou a recuperação de dois corpos dos escombros de Khan Yunis e de três em Rafah.


Entretanto, o escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários anunciou esta madrugada a morte de seis funcionários da Agência da ONU para os Refugiados Palestinianos (UNRWA), o principal organismo de ajuda humanitária que ainda pode trabalhar em Gaza.


Isto eleva para 35 o número de funcionários da UNRWA mortos desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, em 07 de Outubro.


O secretário-geral da ONU, António Guterres, lamentou estas mortes e disse estar ao lado dos funcionários “que estão a fazer tudo o que podem para ajudar quem mais necessita”, indicou numa mensagem publicada na rede social X (antigo Twitter).


Na segunda-feira, a ONU voltou a alertar que o principal centro hospitalar de Gaza, o Hospital Shifa, está “à beira do colapso”, assim como outras estruturas de saúde, devido à falta de eletricidade, medicamentos, equipamentos e pessoal.


Em 07 de outubro, o Hamas lançou um ataque surpresa contra o sul de Israel com o lançamento de milhares de foguetes e a incursão de milicianos armados, fazendo duas centenas de reféns.


Em resposta, Israel declarou guerra ao Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007 e é classificado como terrorista pela União Europeia e Estados Unidos, bombardeando várias infraestruturas do grupo na Faixa de Gaza, ao mesmo tempo que impôs um cerco total ao território com corte de abastecimento de água, combustível e eletricidade.


O conflito já provocou milhares de mortos e feridos, entre militares e civis, nos dois territórios.

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