Publicada em 11/12/2023 às 10h01.
Exército e Polícia do RJ negociaram com facção devolução de 10 das 21 armas furtadas de quartel em SP, diz policial em documento
Exército e Polícia do RJ negociaram com facção devolução de 10 das 21 armas furtadas de quartel em SP, diz policial em documento.

Metralhadoras recuperadas pela Polícia Civil do RJ / Reprodução: G1.


O Exército e a Polícia Civil do Rio de Janeiro negociaram com traficantes de drogas do Comando Vermelho (CV) a devolução de dez das 21 metralhadoras furtadas de um quartel em São Paulo, segundo o depoimento de um policial num documento da Secretaria de Estado de Polícia Civil fluminense.


O agente não informa o que teria sido oferecido em troca. Mas fontes da reportagem disseram que o acordo previa que militares e policiais não entrariam na comunidade onde a facção criminosa atua se devolvesse as armas em troca, conforme reportagem publica em outubro pelo g1 .


A nova informação sobre a negociação das armas com membros da facção criminosa fluminense foi publicada inicialmente nesta segunda-feira (11) pelo Metrópoles. TV Globo e g1 também tiveram acesso ao documento no qual um investigador da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) do Rio relata no seu depoimento como ocorreu o acordo.


Procurado para comentar o assunto, o Comando Militar do Sudeste (CMSE), que investiga o desvio do armamento do Arsenal de Guerra São Paulo (AGSP), em Barueri, na Grande São Paulo, divulgou nota negando que tal negociação entre o Exército com criminosos ocorreu.


"Em resposta à demanda enviada por mensagem eletrônica, o Comando Militar do Sudeste (CMSE) destaca que a informação questionada não procede. O CMSE ressalta que ações tomadas são sempre pautadas pelo princípio da legalidade", informa o comunicado do Exército.


A reportagem também entrou em contato com a Polícia Civil do Rio, por meio de sua assessoria de imprensa, e aguarda um posicionamento.


Segundo as investigações, as 21 metralhadoras (13 metralhadoras antiaéreas calibre .50 e oito metralhadoras calibre 7,62 ) foram furtadas em meados de setembro deste ano. O desvio, considerado o maior Exército brasileiro desde 2009, segundo o Instituto Sou da Paz, só foi descoberto mais de um mês depois, em outubro, durante recontagem das armas no AGSP, em Barueri.


Em operação conjunta, Exército e polícias conseguiram recuperar 19 metralhadoras. Além das dez armas recuperadas no Rio (oito delas em 19 de outubro e duas em 1º de novembro), a Polícia de São Paulo também encontrou nove armas (em 20 de outubro) em São Roque, interior paulista.


Outras duas metralhadoras ainda são procuradas. Elas não foram encontradas até a última atualização desta reportagem.


Oficialmente, a Secretaria de Estado de Polícia Civil fluminense havia divulgado à época que as dez armas haviam sido encontradas abandonadas em veículos usados por criminosos.


A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) chegou a informar que as nove metralhadoras recuperadas em São Roque estavam com ao menos dois criminosos, que trocaram tiros com os policiais e fugiram, abandonando o armamento.


Mas de acordo com o depoimento de um policial da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, dado no dia 7 de novembro, o "setor de inteligência da DRE trocou informes com a inteligência do Exército Brasileiro" que "davam conta de que os armamentos arrecadados estariam na posse do grupo armado Comando Vermelho, na Comunidade Cidade de Deus" com um traficante, de apelido Dedei, que as negociava.


Ainda segundo o policial, a DRE e o Exército tiveram acesso a um vídeo que mostra as armas furtadas do quartel em Barueri. Na filmagem o nome de outro traficante é citado: Capixaba.


No documento, que a reportagem teve acesso, há menção ainda de que "os armamentos teriam passado, antes de chegarem à Cidade de Deus, nas comunidades da Rocinha, Penha e Vila Cruzeiro, todas dominadas pelo Comando Vermelho".


Segundo o policial, ele suspeita que as metralhadoras foram adquiridas pelos traficantes para atacar aeronaves e veículos blindados das forças de segurança. De acordo com o documento, após os criminosos saberem que o Exército e a polícia procuravam as armas, eles decidiram entregá-las.


No documento há a informação de que "foi aberto um canal de comunicação" com o companheiro da sogra do segundo traficante. Que esse homem entrou em contato com o criminoso, "que parecia estar preocupado com a situação", "passando a negociar a entrega de mais 2 (duas metralhadoras) calibre .50".

Em São Paulo, as armas iriam para o Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo fontes ouvidas pela reportagem.


Seis militares são investigados por participarem diretamente do furto.


Ele é um cabo que era motorista pessoal do então diretor do Arsenal de Guerra. E teria usado o carro oficial do tenente-coronel que comandava o AGSP. O comandante não teve participação no crime, mas foi substituído por outro diretor após o sumiço do armamento.


Na operação desta quinta, o Exército teria ido até a residência de dois cabos cumprir os mandados. Um desses militares é o cabo apontado nas investigações como o responsável por transportar as armas para fora do quartel em Barueri.


O Exército apreendeu oito celulares, dois computadores e uma máquina para fazer pagamentos com cartões bancários nas casas de militares suspeitos de participarem do furto de 21 metralhadoras de um quartel na Grande São Paulo. Todo o material será periciado. A Polícia Militar (PM) e a Polícia Técnico-Científica também participaram da ação.


O material foi apreendido na quinta-feira (23) em Jandira, na Grande São Paulo, após operação conjunta das autoridades. A Justiça Militar havia determinado o cumprimento a mandados de busca e apreensão a pedido do Comando Militar do Sudeste (CMSE) que investiga o crime. A polícias paulista e fluminense também investigam o caso.

 

FONTE: G1.



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