Publicada em 03/07/2026 às 12h57.
Brasil completa um ano fora do Mapa da Fome, mas desafios persistem
Apesar da melhora, cerca de 6,5 milhões de brasileiros ainda vivem em insegurança alimentar grave. Especialistas defendem a manutenção de políticas públicas para sustentar o resultado.

Foto: Divulgação.     


 O Brasil completou um ano fora do Mapa da Fome, em julho de 2025, após deixar a lista há um ano e reduzir para menos de 2,5% a parcela da população em risco de subnutrição ou de falta de acesso à alimentação suficiente. Apesar da conquista, o país ainda tem cerca de 6,5 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave.


Especialistas ouvidos pela Agência Brasil afirmam que a permanência desse resultado depende da continuidade e do aprimoramento de políticas públicas nas áreas de emprego, renda, saúde, educação e segurança alimentar. Para o pesquisador Lucas de Almeida Moura, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Combate à Fome, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, a saída do Mapa da Fome foi resultado de uma forte intersetorialidade entre políticas públicas, mas ainda é necessário consolidar mecanismos permanentes para reduzir a insegurança alimentar.

 

Moura é autor do Índice Multidimensional de Insegurança Alimentar, ou MUFII, que considera 12 indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Os primeiros resultados, publicados na revista Sustainability e referentes ao período de 2018 a 2022, apontaram piora no cenário nacional em 2022. Segundo o estudo, Santa Catarina registrou os menores valores médios, enquanto Maranhão, Acre e Amazonas tiveram os maiores, com a maior parte dos estados do Norte e Nordeste acima de 50% de insegurança alimentar multidimensional. A pesquisa deve ser atualizada para os anos posteriores a 2022.


A secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do Ministério do Desenvolvimento Social, Valéria Burity, afirmou que a meta é garantir o direito à alimentação adequada e saudável para toda a população. Ela destacou o Plano Brasil sem Fome como uma das ações mais importantes para a redução da fome, ao articular medidas de política econômica e de proteção social, com apoio à agricultura familiar, reajuste da alimentação escolar, cozinhas comunitárias e ações voltadas à proteção social, trabalho, renda e acesso à alimentação adequada.

 

A professora Semíramis Domene, da Universidade Federal de São Paulo e diretora do Instituto Fome Zero, também apontou três frentes centrais para a redução da fome: diminuição da desigualdade, fortalecimento das políticas públicas de proteção social e estímulo à produção de alimentos. Ela destacou políticas de emprego e renda, o menor índice de desemprego em 13 anos, a elevação do salário mínimo com reajustes superiores a 6% a partir de 2022, além do fortalecimento do Sistema Único de Saúde, do Bolsa Família, do Cadastro Único e do Programa Nacional de Alimentação Escolar.

 

Domene também citou o fortalecimento do Programa de Aquisição de Alimentos, que, segundo ela, estava praticamente extinto e sem financiamento, como um fator importante para a agricultura familiar. Já o economista Daniel Duque, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, destacou o papel do Bolsa Família, a desaceleração dos preços dos alimentos em relação à inflação geral a partir de 2023 e a melhora do mercado de trabalho como fatores que contribuíram para a redução da fome. Para ele, a manutenção de um mercado de trabalho favorável será decisiva para que o Brasil permaneça fora do Mapa da Fome.



FONTE: JORNAL DE BRASÍLIA.








              

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