
Flávio Dino / Reprodução: Diário de Pernambuco.
O Planalto trabalhou até o último momento para aprovar os indicados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, e à Procuradoria-Geral da República (PGR), o subprocurador Paulo Gonet.
A sabatina simultânea dos dois ocorrerá nesta
quarta-feira, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário do
Senado. Nesta terça-feira, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues
(sem partido-AP), estimou que o ministro da Justiça, alvo de resistência entre
parlamentares, deve receber entre 48 e 52 votos.
"O nome de Flávio Dino será aprovado e do
doutor Gonet também. Com a votação (de Gonet), arrisco dizer, mais folgada. Mas
o senador e ministro Dino — que espero que seja o futuro ministro do STF —, com
votação entre 48 e 52 votos", afirmou Randolfe. Para serem confirmados nos
cargos, os escolhidos por Lula precisam do aval da maioria absoluta dos
parlamentares, ou seja, de 41 senadores.
Quatro ministros de Estado vão deixar os cargos
temporariamente para reassumir o mandato no Senado e votar a favor de Dino e
Gonet. São eles, Camilo Santana (PT-CE), da Educação; Carlos Fávaro (PSD-MT),
da Agricultura; Renan Filho (MDB-AL), dos Transportes; e Wellington Dias
(PT-PI), do Desenvolvimento Social. É medida definida pelo governo para tentar
garantir a vitória dos indicados.
Dino, que visitou o Senado nesta terça-feira, ainda em
busca de votos, comentou o retorno temporário dos quatro como um tributo.
"Soube dessa decisão dos meus colegas, de fazer essa espécie de homenagem.
Fomos governadores juntos (nos casos de Dias, Santana e Renan). Nós nos
elegemos senadores juntos também. Interpretei como um gesto de carinho e de
fraternidade", ressaltou.
O ministro da Justiça afirmou que respeita "o fato
de que haverá nãos". "Isso faz parte da vida democrática",
ressaltou. "Estou otimista. Não tenho feito contabilidade, porque é
prerrogativa dos senadores de votarem a favor ou contra. Mas tenho uma projeção
muito tranquila, muito promissora", declarou.
O rito da análise das autoridades será diferente, com Dino e Gonet sendo sabatinados na CCJ em uma única sessão. Randolfe não vê problemas na definição feita pelo presidente da comissão, Davi Alcolumbre (União-AP).
Ele argumentou que, embora seja inédito para indicados ao Supremo
ou à PGR, "existem precedentes nesse sentido". "Na CAE (Comissão
de Assuntos Econômicos), por exemplo, há duas autoridades indicadas para o Cade
(Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sendo sabatinados simultaneamente
neste momento", disse.
Por sua vez, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE),
titular na CCJ, questionou o formato e avaliou que a dupla sabatina é uma
ofensa aos princípios constitucionais da eficiência e da razoabilidade. O
parlamentar disse estar preparado para apresentar uma questão de ordem. "O
que se pretende, em termos de interesse público e de fidelidade ao texto
constitucional, ao se dispensar o fracionamento habitual de referidas arguições
públicas?", questionou.
Segundo Vieira, "além de ineficiente, (o formato)
ignora solenemente, a um só tempo, os anseios do constituinte e dos
cidadãos". "Em condições republicanas, o único fundamento capaz de
justificar a arguição simultânea seria a exiguidade de tempo. Entretanto, o
Senado da República ainda não está em recesso e dispõe de tempo suficiente para
proceder às arguições separadamente", argumentou.
Dino enfrenta resistência da oposição, ao contrário de Gonet, que foi recebido nos gabinetes de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Muitos deles, inclusive, já anunciaram apoio ao subprocurador. O ministro da Justiça, desde o início do governo, tem protagonizado entreveros com os deputados bolsonaristas, que resistem à sua indicação.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.