
A iniciativa faz parte das diretrizes do Plano Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, que contempla uma série de medidas a serem tomadas dentro de uma concepção abrangente no combate a este crime (Foto: Agência FreePik) - DP.
Pernambuco deu um passo importante na luta contra o
trabalho escravo. O Governo do Estado criou a Comissão Estadual para
Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae).
O decreto nº55.914, com a instituição desse colegiado,
foi publicado pela governadora Raquel Lyra (PSDB) no Diário Oficial do Estado,
nesta quarta (13).
A iniciativa faz parte das diretrizes do Plano Nacional
pela Erradicação do Trabalho Escravo, que contempla uma série de medidas a
serem tomadas dentro de uma concepção abrangente no combate a este crime.
De acordo com o governo estadual, a Coetrae será
vinculada à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) e terá a finalidade
de propor mecanismos para prevenção e erradicação da prática de trabalho
escravo no Estado.
Além disso, segundo o governo, o colegiado vai monitorar
projetos de lei relacionados ao tema que tramitam na Câmara Federal, em
Brasília, e também na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) para a
adoção de medidas necessárias sobre o trabalho escravo.
Uma das atribuições é que a comissão também terá a
responsabilidade de avaliar e supervisionar os projetos de cooperação técnica
firmados entre a administração pública estadual e outras entidades e
organizações nacionais que tratem da prevenção e do combate ao crime de
trabalho análogo à escravo.
Integração
A Coetrae será composta por outras representações em sua
composição, que engloba entidades dos poderes públicos.
São elas:
SJDH
Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança, Juventude
e Prevenção à Violência e às Drogas
Secretaria de Defesa Social
Secretaria de Educação e Esportes, Secretaria de Saúde
Secretaria de Desenvolvimento Profissional e
Empreendedorismo
Secretaria da Mulher
Secretaria de Planejamento, Gestão e Desenvolvimento
Regional
Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura
Procuradoria Geral do Estado (PGE)
Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE)
Ministério Público Federal (MPF)
Ministério Público de Pernambuco (MPPE)
Ministério Público do Trabalho (MPT)
Defensoria Pública da União (DPU)
Defensoria Pública de Pernambuco
Polícia Federal (PF)
Polícia Rodoviária Federal (PRF)
Membros da sociedade civil
Representantes de até 8 entidades que tenham
relação com a erradicação do trabalho escravo, eleitos conforme regimento
interno da Comissão.
Pena
O trabalho análogo à escravidão é crime previsto no
artigo 149 do Código de Processo Penal (CPP), no qual diz “reduzir alguém
à condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a
jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer
restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com
o empregador ou preposto”.
A pena prevista é de dois a oito de reclusão, além de
multa.
Histórico
Em 2022, 18 trabalhadores foram resgatados de trabalho
análogo ao de escravo em Pernambuco.
Um dos casos foi o de uma doméstica que passou 43 anos
trabalhando numa casa, no Recife, sem carteira assinada, salários, férias,
folgas ou qualquer benefício da Previdência Social.
No mesmo período, 124 residentes em Pernambuco foram
encontrados no que hoje em dia é chamado de trabalho escravo contemporâneo em
todo o Brasil.
Entre janeiro e dezembro do ano passado, 2.575
trabalhadores foram retirados de condições análogas às de escravo em todo o
país. Houve 462 fiscalizações, que resultaram em mais de R$ 8 milhões em
direitos trabalhistas pagos.
Dados do seguro-desemprego mostram o seguinte perfil dos
trabalhadores resgatados em 2022 em Pernambuco:
Dados do seguro-desemprego mostram o seguinte perfil dos
trabalhadores resgatados em 2022 em Pernambuco:
80% eram homens;
30% tinham entre 50 e 64 anos;
30% entre 40 e 49 anos;
30% entre 18 e 24 anos;
100% residiam na região Nordeste;
90% eram naturais da região Nordeste;
60% se autodeclararam negros ou pardos;
40% se declararam brancos;
30% declararam ter o ensino médio incompleto;
30% até o 5º ano incompleto;
20% dos trabalhadores resgatados em Pernambuco em 2022
eram analfabetos.
Os dados também mostram as atividades econômicas em que
os resgatados atuavam no estado:
Extração de calcário e dolomita e beneficiamento
associado (7 casos);
Fabricação de produtos de minerais não metálicos (5
casos);
Serviços domésticos (3 casos).
Denúncias
Denúncias de trabalho escravo podem ser feitas de forma
remota e sigilosa no Sistema Ipê, lançado em 2020 pela Secretaria de Inspeção
do Trabalho (SIT), em parceria com a Organização Internacional do Trabalho
(OIT).
Também é possível denunciar por meio da internet. Denúncias sobre trabalho infantil também podem ser feitas pela internet.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.