
O caso aconteceu no dia 13 de setembro, em Tabatinga, na cidade de Camaragibe, no Grande Recife Reprodução: DP.
Policiais militares envolvidos em uma sequência de mortes
que ocorreram em setembro deste ano, em Camaragibe, no Grande Recife, são alvo
de uma operação deflagrada nesta quinta (14) pela Polícia Civil.
O caso começou no dia 15 de setembro com a
perseguição policial a um atirador.
Ao todo, nove pessoas morreram, incluindo o suspeito,
parentes dele e policiais militares. Uma grávida usada como escudo humano
também foi atingida e faleceu no hospital.
Nesta quinta, a polícia cumpre cinco mandados de prisão,
todos contra PMs.
A Operação Sobejo também são cumpridos 20 mandados de busca e apreensão. Eles foram expedidos pela Primeira Vara Criminal da Comarca de Camaragibe.
A ação é realizada pela Diretoria Integrada do Especializada, sob a presidência do Grupo de Operações Especiais (GOE).
A investigação foi iniciada em setembro de 2023, com o
objetivo de identificar e desarticular associação criminosa envolvida na
prática dos homicídios.
Participam da ação 130 policiais civis, entre delegados,
agentes e escrivães. As investigações foram assessoradas pela Diretoria de
Inteligência da Polícia Civil de Pernambuco – DINTEL, contando ainda com o
apoio operacional da Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social.
Mandados
Em 24 de outubro, o Ministério Público de Pernambuco
(MPPE) cumpriu mandados de busca e apreensão durante as investigações da
sequência de mortes.
Por meio de nota, o MPPE informou que as buscas são realizadas pela Promotoria de Justiça Criminal de Camaragibe e pelo Controle Externo da Atividade Policial.
O MPPE explicou que tem acompanhado o trabalho
desenvolvido pela Polícia Civil, “mas sem perder de vista sua autonomia
investigatória”.
“Diante da complexidade dos fatos, a partir de procedimento
de investigação criminal específico, foram solicitadas medidas cautelares ao
Poder Judiciário para possibilitar uma compreensão mais aprofundada de
como os fatos ocorreram e de quem deles, em tese, teve alguma participação”,
disse o MPPE, por meio da nota.
Ainda segundo o Ministério Público, o “cumprimento das
ordens judiciais se deu dentro dos parâmetros constitucionais, foi coordenado
por membros do Ministério Público e, pela sua dimensão, contou com o apoio da
Corregedoria da Secretaria de Defesa Social, a pedido da Instituição
responsável pela ação penal”.
As ações desta terça foram realizadas sob sigilo e,
por isso, o MPPE disse que não poderia informar as identidades dos alvos
nem passar mais informações.
O que diz a defesa dos PMs
Segundo o advogado da Associação de Cabos e Soldados de
Pernambuco (ACS-PE), Eduardo Morais, acompanhava a chegada dos PMs presos, na
sede do GOE, e disse que ainda não teve acesso aos autos e que a associação
trabalhará para provar a inocência dos policiais.
“Não conhecemos o que está no teor. A associação entende
que todos são inocentes e a vamos provar. Na verdade, o que se entende é que o
GOE não sabe qual a participação deles no caso. Não tinha necessidade destas
prisões, porque a intenção de todos é colaborar com as apurações. A policial
presa já pagou fiança e está sendo liberada. Todos eles afirmam que não tem
participação no caso. A gente precisa ter acesso aos autosa para refutar essas
investigações”, ressaltou o advogado.
Entenda o caso
Dois policiais militares que atuaram na ocorrência em
Camaragibe nos dias 14 e 15 de setembro prestaram depoimento no Grupo de
Operações Especiais (GOE), no Cordeiro, na Zona Oeste do Recife, na última
terça-feira (26).
A Polícia Civil informou que os policiais foram acionados
para prestar assistência ao cabo Rodolfo José da Silva, de 38 anos, e ao
soldado Eduardo Roque Barbosa de Santana, que morreram após serem baleados.
O principal suspeito de matar os policiais é Alex da
Silva Barbosa, de 33 anos, que foi morto, no mesmo dia, durante uma troca de
tiros com a polícia.
Três irmãos do suspeito foram mortos por dois homens encapuzados no dia 15 de setembro. No mesmo dia, a esposa e a mãe de Alex foram encontradas mortas em um canavial, em Paudalho, na Zona da Mata Norte.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.