
O brasileiro Thiago Allan Freitas, de 38 anos, que estava em poder de sequestradores em Guayaquil, no Equador, foi libertado pela polícia na noite de ontem. O Itamaraty confirmou com autoridades policiais equatorianas a informação, divulgada primeiro por um irmão de Thiago, Eric Lorran Vieira.
“O Ministério das Relações Exteriores continua a acompanhar o caso e a prestar a assistência ao nacional brasileiro e a seus familiares”, afirmou a pasta.
Segundo Eric, o irmão está bem. “Os policiais fizeram uma ligação de vídeo. A gente com aquela tremedeira, com medo de ser outra pessoa fingindo ser os policiais. Atendemos e estamos com a notícia maravilhosa de que meu irmão está bem, está a salvo, está sendo encaminhado para ficar com a família dele agora. Conseguimos salvar uma vida”, afirmou Eric à Globonews.
Freitas é natural de São Paulo e mora no país há cerca de três anos. Segundo familiares, atualmente tem uma churrascaria em Guayaquil e, há cerca de um ano, os três filhos do brasileiro também se mudaram para o Equador.
Nas redes sociais, o filho de Freitas afirmou que, na última terça-feira (9), a família pagou parte do resgate, mas não dispõe de todo o dinheiro exigido pelo sequetradores.
DIA ATÍPICO
Cidades do Equador viveram ontem um dia atípico, com suspensão de aulas, pouco trânsito, ruas vazias e comércio fechado. Entre as medidas adotadas pelo presidente Daniel Noboa, estão a suspensão das aulas e consultas ambulatoriais em hospitais.
Em Quito, centenas de militares foram mobilizados para garantir a segurança nas ruas próximas ao Palácio de Governo, situado no centro da capital. O maior parque da cidade — La Carolina — permaneceu deserto.
O ataque à sede da emissora estatal TC Televisión, ocorrido ontem (9), aumentou o pânico e população se mantém em casa.
Também ontem, o presidente equatoriano anunciou a deportação de estrangeiros presos para reduzir a superlotação carcerária. Segundo Noboa, 90% dos detentos são oriundos de países como Colômbia, Peru e Venezuela.
Em entrevista a uma rádio local, o presidente Daniel Noboa declarou que o país mantém ‘estado de guerra’ contra grupos terroristas.
“Vivemos em um estado de conflito, um estado de guerra. Neste caso, se aplicam outras leis, aplica-se também o direito humanitário internacional, que é diferente do direito comum do Equador”, disse Noboa, em entrevista a uma rádio.
TERROR
A onda de violência segue no Equador e deixou, até o momento, 13 mortos e 70 presos, de acordo com as autoridades locais. Ontem, o presidente Daniel Noboa assinou decreto em que reconhece que o país enfrenta um “conflito armado interno”.
A onda de violência no país se intensificou após a fuga do líder da maior facção do país, José Adolfo Macías Villamar, mais conhecido como Fito, no último domingo (7).
Ontem, motins em prisões, fugas, ataques a delegacias e sequestros se alastraram pelo pais. Há relatos de invasões, explosões e sequestros.