Publicada em 23/01/2024 às 09h44.
Raquel Lyra demite chefe da Polícia Civil e comandante geral da Polícia Militar de Pernambuco
A delegada Simone Aguiar e o coronel Tibério César dos Santos foram informados que serão substituídos nesta segunda-feira (22)

Delegada Simone e Coronel  Tibério foram informados da substituição / Foto: JC.


Com resultados insatisfatórios no combate à violência, a governadora Raquel Lyra decidiu fazer mudanças na cúpula da segurança pública de Pernambuco. Pouco mais de um ano após assumir o mais alto posto da Polícia Militar, o coronel Tibério César dos Santos será substituído. A delegada Simone Aguiar também está deixando a chefia da Polícia Civil de Pernambuco.


A decisão foi tomada pela governadora Raquel Lyra na noite desta segunda-feira (22), após uma longa reunião com o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, no Palácio do Campo das Princesas.

As substituições acontecem dois dias após cenas de confronto entre torcedores rivais, que resultaram em quatro pessoas baleadas - incluindo um militar em serviço. As imagens da violência ao longo do dia tiveram repercussão nacional. Além disso, cenas de truculência da PM em relação aos torcedores que tentavam acesso à Arena Pernambuco, no sábado, foram criticadas.


O novo comandante da PM será o coronel Ivanildo Cesar Torres de Medeiros. Já o titular da Polícia Civil será o delegado Renato Márcio Rocha Leite.


"Agradeço a contribuição ao serviço público do coronel Tibério e da delegada Simone, que estiveram conosco desde o início do nosso governo. O coronel Torres e o delegado Renato assumem o comando da PM e da Polícia Civil, respectivamente, com o compromisso de fortalecer as ações das operativas da Secretaria de Defesa Social e fazer de Pernambuco um estado mais seguro”, declarou, em nota à imprensa, a governadora Raquel Lyra.

As mudanças serão publicadas na edição do Diário Oficial do Estado desta terça-feira (23).


No final de agosto de 2023, a governadora também substituiu a então secretária de Defesa Social, Carla Patrícias Cunha.


Violência sem controle em Pernambuco


As demissões anunciadas nesta segunda-feira acontecem num momento de alta tensão na pasta da segurança pública do Estado. Além de fechar o ano de 2023 com aumento de mortes violentas intencionais, o começo de janeiro de 2024 vem registrando números muito alarmantes.


Segundo a Secretaria de Defesa Social (SDS), 3.632 pessoas foram assassinadas em Pernambuco no ano passado. O crescimento foi de 5,98% em relação a 2022, quando 3.427 vidas foram perdidas.


Quando se fala em mortes violentas intencionais, como são classificadas pela Secretaria de Defesa Social (SDS), estão englobados os homicídios, latrocínios, feminicídios, lesões corporais seguidas de morte e os óbitos em intervenções policiais.

O Juntos pela Segurança tem como meta a redução de 30% no número de mortes violentas intencionais até o final de 2026, tendo como base o resultado de 2022.

O mesmo índice também se aplica aos casos de violência contra a mulher, aos crimes violentos patrimoniais e aos roubos e furtos de veículos.


Nos Bastidores, críticas à condução do Juntos pela Segurança


Em meio ao crescimento dos números da violência em Pernambuco, era nítido o desconforto da delegada Simone Aguiar e do coronel Tibério César dos Santos em relação à condução do Juntos pela Segurança pela governadora Raquel Lyra. 

Nos bastidores, entre pessoas mais próximas, a delegada já havia sinalizado que sentia falta de reuniões periódicas da governadora com a cúpula da segurança pública para traçar estratégias de combate à violência.

Enquanto o Pacto pela Vida realizava reuniões mensais com a presença do governador, Raquel Lyra não chegou a sentar à mesa com os titulares das polícias de Pernambuco ao longo do primeiro ano de gestão.


Além disso, na visão dos gestores que estão deixando o comando da PM e da Civil, o déficit histórico de profissionais da segurança é outra dificuldade encontrada para o avanço do combate à criminalidade tão necessário em Pernambuco. 

Na Polícia Militar, por exemplo, há pouco mais de 16 mil profissionais, quando o ideal seria ter no mínimo 27 mil.


FONTE: JC.NE10. 



 

 


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