Publicada em 30/12/2025 às 10h44.
Barraqueiros negam ter começado agressões a casal em Ipojuca: "Ninguém tá trabalhando de graça"
Segundo eles, também não houve homofobia por parte dos comerciantes

Foto: Divulgação.   


 Em um vídeo publicado nas redes sociais, barraqueiros negaram ter iniciado as agressões ao casal de turistas de Mato Groso na praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, Litoral Sul de Pernambuco. O caso aconteceu no último sábado (27) e ganhou repercussão nacional.


Os funcionários da barraca onde tudo aconteceu se reuniram para passar sua versão da história, nessa segunda-feira (29). Eles começaram destacando que não houve homofobia por parte dos comerciantes.


"A história sempre tem dois lados e vamos apresentar o nosso. Primeiramente, não existiu homofobia, não foi um caso de homofobia. Os caras estão tentando atrelar isso na história e não foi isso", disse um dos comerciantes, que não foi identificado.

 

Ainda de acordo com o mesmo comerciante, desde a primeira abordagem foi informado ao casal que o preço pelo aluguel da estrutura - duas cadeiras e um guarda-sol - custava R$ 80, fora o consumo interno, e não R$ 50, como os dois relataram posteriormente.


"O companheiro Eduardo abordou o cara lá de cima (da praia), explicou que o aluguel da estrutura custava R$ 80, que tinha que comer. Aparentemente os caras estão embriagados", afirmou.


O comerciante explicou ainda que, nesse momento, outra comerciante, Vera, trouxe mais uma família para a faixa de areia, em frente ao casal. Ela conta que tentou aplicar o guarda-sol no chão para os novos clientes, mas foi interrompida por um dos homens.


"Quando o cliente chegou, a gente abordou um cliente, o cliente ia sentar na frente. Quando a gente colocou as cadeiras pro cliente sentar, simplesmente ele pulou da cadeira dele pra cadeira da frente, que disse que ninguém ficaria na frente deles", afirmou Vera.


O comerciante inicial destacou, ainda, que é importante contar o lado dos barraqueiros, já que, no seu ponto de vista, eles estavam apenas trabalhando.


"Gente, infelizmente têm pessoas que saem com intuito de tipo tirar uma onda, chega assim: 'Não, velho, aqui é um espaço público, eu vou sentar, não vou pagar'


. Aí, gente, infelizmente não é um espaço público, a praia sim é pública, mas existe uma concessão pra gente trabalhar. Se tu chegar aqui na cadeira e sentar, ninguém vai na areia, ninguém vai te proibir sentar na areia. Mas se tu sentar e usar o guarda-sol, velho, tu vai ter que pagar o serviço do guarda-sol, que ninguém aqui tá trabalhando de graça, todo mundo aqui é trabalhador", disse.


Comerciante agredido


Os comerciantes alegam, ainda, que quem iniciou as agressões foi o próprio casal. Isso teria acontecido quando um dos barraqueiros, identificado como Dinho, levou o cardápio para informá-los sobre os valores cobrados na barraca.


Os homens teriam dito que não iriam pagar pelo serviço porque a praia é "um lugar público".


"Ele (um dos homens do casal) me agrediu, deu um mata leão em mim. Primeiro deu uma tapa no meu rosto e no cardápio, depois o mata leão. Quando eu estava apagado no chão, os meninos me socorreram", contou Dinho.


O comerciante inicial desmentiu, ainda, que 30 pessoas teriam agredido o casal, como vinha sendo noticiado. "Na hora da confusão, geralmente foi uma briga generalizada. Isso aí eu não vou defender. Isso é hipócrita de falar que não foi, mas que 30 pessoas agrediram ele, não foi, não foi. Foi em torno aqui de, sei lá, quatro, cinco pessoas", disse.


O barraqueiro inicial também reiterou, mais uma vez, que não houve homofobia por parte dos comerciantes.


"Gente, não houve isso. Eu quero deixar claro que a gente adora o público homossexual. Inclusive, acho que todo mundo aqui vai falar por uma boca só. É o melhor público, é o público que gasta, que consome. Velho, a galera é super gente boa. Não houve nenhum lance de homofobia, não houve isso", finalizou.

O que diz o casal


Johnny Andrade Barbosa e Cleiton Zanatta foram resgatados por uma equipe de salva-vidas do município, que interviu nas agressões e os retiraram do local.

Segundo eles, a confusão teria começado porque comerciantes da área teriam cobrado um valor acima do combinado anteriormente para ceder cadeiras. Os barraqueiros, por outro lado, alegaram que os homens teriam saído sem pagar, iniciando o tumulto que terminou em agressão.


Em vídeo publicado nas redes sociais, é possível ver uma das vítimas com ferimentos no rosto. Eles classificam o caso como um "massacre".


“Chegamos à praia e um rapaz foi nos atender, conduzindo a gente até a barraca. Ele ofereceu os serviços por R$ 50, com duas cadeiras e um guarda-sol. Na hora de pagar, ele nos cobrou R$ 80. Falei que não era justo e que pagaria os R$ 50”, iniciou uma das vítimas.


“Ele juntou a cadeira e jogou em mim. Depois, vieram 10, 15 em cima de mim, dando vários pontapés. Não tive reação. Cleiton, meu companheiro, saiu correndo para pedir ajuda porque não tinha policiamento em volta para nos ajudar. O Corpo de Bombeiros estava do lado, mas não fizeram questão de ajudar da maneira correta. Deixaram a gente apanhar e só depois que viram que a gente ia ser linchado (é que reagiram). Foi um crime que fizeram com a gente”, relatou um dos turistas.


Em vídeo publicado na rede social pessoal, a dupla indicou que vai processar a Prefeitura de Ipojuca e o estado de Pernambuco. "Espero nunca mais pisar nesse lugar. Recebemos relatos de outras pessoas que passaram pela mesma situação que a gente. As pessoas não podem passar por isso. A praia é linda, mas se continuar assim não terá mais turismo em Porto de Galinhas", pontuou Cleiton. 


Barraca interditada e barraqueiros identificados


A prefeitura de Ipojuca anunciou, na segunda-feira (29), uma série de medidas para coibir novos casos de violência.


Por conta do ocorrido, a gestão municipal anunciou a suspensão temporária, pelo prazo de uma semana, das atividades da barraca envolvida no episódio.


Além disso, foi imposto o afastamento imediato e preventivo dos garçons e atendentes envolvidos, até a conclusão das investigações policiais. 


"A Prefeitura do Ipojuca reforça que repudia qualquer forma de violência e reafirma seu compromisso com a segurança, o respeito aos visitantes e a defesa dos direitos do consumidor. O município destaca que episódios dessa natureza são inaceitáveis e não refletem a vocação de Porto de Galinhas como destino acolhedor, seguro e preparado para receber turistas de todas as partes do país e do mundo e mundialmente premiado", informou a gestão. 


Além disso, ao todo, 14 envolvidos nas agressões foram identificados, e um deles, inclusive, foi indiciado. Quem confirmou a informação foi a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, também na segunda-feira, em entrevista à Folha de Pernambuco.


"Já estamos trabalhando para que haja a punição de todos os responsáveis que estiveram ali, identificando a conduta de cada uma das pessoas envolvidas para que a gente possa trabalhar o inquérito policial, o indiciamento das pessoas, encaminhar para a Justiça para que eles sejam responsabilizados, inclusive criminalmente", afirmou.


"Aquilo que aconteceu é absolutamente inadmissível e vamos trabalhar para que fatos como esse não se repitam, e que a gente possa garantir mais transparência e mais tranquilidade para as pessoas que visitam. Eu sempre digo que um lugar ele é bom para visitar quando ele é bom para viver", completou.



FONTE: FOLHA PE.




        

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