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O Ministério da Saúde da Suíça confirmou o primeiro caso europeu relacionado ao surto de hantavírus registrado a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, embarcação holandesa que enfrenta uma grave emergência sanitária após a morte de três passageiros pela doença. O paciente infectado está sendo tratado no Hospital Universitário de Zurique, que, segundo as autoridades suíças, está preparado para lidar com o caso com segurança e sem risco para a população local.
Em nota, o ministério afirmou que o hospital tem capacidade para prestar assistência ao paciente e garantir a proteção da equipe médica e dos demais internados. A pasta também ressaltou que, neste momento, “não há risco para o público suíço”. A confirmação intensificou a preocupação internacional em torno do surto, especialmente pela suspeita de circulação da cepa andina do hantavírus, considerada a única capaz de ser transmitida entre humanos.
O MV Hondius segue em quarentena e navega em direção às Ilhas Canárias, na Espanha, onde deve atracar no porto de Santa Cruz de Tenerife dentro de três ou quatro dias. O Ministério da Saúde espanhol confirmou que receberá o navio “em conformidade com o direito internacional e os princípios humanitários”, argumentando que o arquipélago é o ponto mais próximo com estrutura adequada para atendimento dos pacientes.
Segundo o governo espanhol, há ainda uma “obrigação moral e legal” de prestar assistência às pessoas a bordo, entre elas cidadãos espanhóis. Antes do desembarque, passageiros e tripulantes passarão por exames médicos e, posteriormente, serão repatriados aos seus países de origem.
Resistência nas Ilhas Canárias e temor de
supertransmissão
A decisão, no entanto, provocou reação imediata do presidente regional das
Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, que criticou duramente a medida e afirmou não
haver informações suficientes para garantir a segurança da população local.
“Esta decisão não se baseia em quaisquer critérios técnicos, nem existem informações suficientes para tranquilizar o público ou garantir sua segurança”, declarou. O porta-voz do governo regional, Alfonso Cabello, também questionou a mudança de estratégia e afirmou que o arquipélago não foi previamente informado sobre a decisão de receber a embarcação.
O temor aumentou após a confirmação de que uma passageira holandesa de 69 anos, esposa de um dos passageiros que morreram a bordo, desembarcou em Santa Helena com sintomas gastrointestinais no dia 24 de abril. No dia seguinte, ela viajou para Joanesburgo, na África do Sul, onde morreu em decorrência da infecção.
Agora, autoridades sul-africanas tentam localizar até 114 passageiros e tripulantes que dividiram o voo com a mulher, diante do receio de um possível evento de superpropagação. O porta-voz do Ministério da Saúde da África do Sul, Foster Mohale, afirmou que o rastreamento de contatos já foi iniciado.
Além disso, um britânico de 69 anos segue em estado grave em um hospital sul-africano. Também há incerteza sobre o paradeiro de um médico britânico que seria retirado da embarcação por helicóptero. Informações iniciais apontavam transferência para Tenerife, mas o governo das Ilhas Canárias afirmou que o voo foi cancelado.
O que é o hantavírus
O hantavírus é uma infecção geralmente transmitida pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores contaminados. No caso do MV Hondius, especialistas acreditam que a variante envolvida seja o chamado vírus dos Andes, encontrado principalmente em regiões montanhosas da Argentina e do Chile.
Essa cepa chama atenção por ser a única conhecida com potencial de transmissão entre humanos — embora especialistas ressaltem que isso costuma ocorrer apenas em situações de contato muito próximo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a taxa de mortalidade possa chegar a 40%.
O ministro da Saúde da África do Sul confirmou que a cepa andina foi identificada em dois passageiros hospitalizados em Joanesburgo. A suspeita de transmissão entre pessoas ganhou força porque não haveria roedores a bordo do MV Hondius, o que reduz a hipótese de contaminação tradicional dentro da embarcação.
Pesquisas do Instituto de Pesquisa Médica de Doenças Infecciosas do Exército dos Estados Unidos também apontam que essa variante pode favorecer episódios de superpropagação, o que explica a mobilização internacional para localizar passageiros e monitorar possíveis novos casos.
FONTE: FOLHA PE.