
Foto: Divulgação.
A
Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) deflagrou, nesta quarta-feira (27), a
‘Operação Kura’, ofensiva voltada ao combate de crimes sexuais contra crianças
e adolescentes. A ação resultou no cumprimento de quatro mandados de prisão
preventiva e dois de busca e apreensão no Recife e em Cabo de Santo Agostinho,
na Região Metropolitana.
As
investigações, conduzidas pelo Departamento de Proteção à Criança e ao
Adolescente (DPCA), revelaram um cenário que mistura violência sexual,
vulnerabilidade social e exploração de menores no ambiente virtual. Segundo a
polícia, os inquéritos apuram casos de estupro de vulnerável, produção de
pornografia infantil e armazenamento desse material em celulares e dispositivos
eletrônicos.
Segundo
o delegado Paulo Furtado, gestor do DPCA, parte das vítimas identificadas pela
investigação são meninas entre 10 e 13 anos. De acordo com ele, os abusos
presenciais eram praticados por pessoas próximas às vítimas, que se
aproveitavam da relação de confiança para cometer os crimes.
“As vítimas eram crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Os suspeitos tinham proximidade com elas”, destacou.
Investigação aponta aliciamento de crianças pelas redes sociais
Além dos crimes presenciais,
a Polícia Civil identificou a atuação de investigados no ambiente digital.
Segundo as apurações, crianças e adolescentes eram abordados pelas redes sociais
e induzidos a produzir imagens e vídeos de nudez. “O suspeito utilizava os
vídeos para própria lascívia”, explicou Paulo Furtado.
De acordo com a corporação,
embora os investigados atuassem em casos distintos e sem ligação entre si, a
polícia identificou que um dos alvos da operação já possuía antecedentes
criminais por tráfico de drogas.
Durante a operação, equipes
da Delegacia de Crimes Contra a Criança e ao Adolescente (DECCA) apreenderam
celulares que passarão por perícia técnica. A expectativa é que a análise do
material ajude a identificar novas vítimas e possíveis envolvidos.
A polícia não descarta a
existência de outros crimes relacionados aos investigados.
“É na confiança que a vítima rompe o silêncio”, diz delegada
Responsável pelo curso das investigações, a delegada Stephanie Almeida Araújo afirmou que muitos casos de violência sexual infantil continuam ocorrendo de forma silenciosa, especialmente no ambiente virtual. Segundo ela, o acompanhamento familiar e o monitoramento do uso de celulares e redes sociais são fundamentais para prevenir esse tipo de crime.
“Tentem monitorar os aparelhos telefônicos e deem credibilidade à palavra da vítima, porque é na confiança com os genitores que ela tem coragem de contar o que está acontecendo na clandestinidade”, orienta pais e responsáveis.
A operação contou com apoio da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Pernambuco (Dintel), por meio do Núcleo de Inteligência do Departamento de Polícia da Criança e Adolescente (NI-DPCA). Após a prisão, os investigados permanecem à disposição da Justiça.
FONTE: FOLHA PE.