
Foto: Divulgação.
Durante
as festas juninas, os acidentes com queimaduras causadas por fogos de artifício
e fogueiras costumam preocupar profissionais da saúde devido ao aumento das
ocorrências anualmente. Dados do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do
Hospital da Restauração (HR), no Recife, apontam que 70 pessoas foram atendidas
vítimas de queimaduras durante o período junino de 2025.
O
número representa um aumento de 52% em relação ao mesmo período do ano passado,
quando foram registrados 46 atendimentos. As internações também cresceram e
passaram de 29 para 36 casos, uma alta de 25%. Do total de pacientes atendidos
neste ano, 37 eram crianças e 33 adultos.
Segundo
o cirurgião plástico Guilherme Sedicias, que atua no tratamento de queimados, a
combinação entre curiosidade infantil e o uso inadequado dos fogos de artifício
explica boa parte dos casos registrados nesta época do ano.
“Normalmente,
as crianças são as maiores vítimas nessa época do ano, durante as festas
juninas, principalmente por dois fatores importantes. O primeiro é o uso
inadequado dos fogos de artifício. O segundo é que as crianças gostam de ficar
muito próximas dos artefatos, querem ver tudo de pertinho. Por isso, acabam
representando uma parcela maior das vítimas nesse período de São João. As duas
principais áreas atingidas são as mãos e a face”, explica.
O
médico ressalta que os danos vão além das queimaduras provocadas pelo fogo.
Segundo ele, fragmentos lançados durante a explosão podem causar ferimentos
graves.
“Fragmentos
das bombas, pólvora, terra, areia e pequenas pedras podem ser lançados durante
a explosão e atingir a face da criança. Dependendo da intensidade do acidente,
esses materiais podem provocar lesões importantes na pele, nos olhos e em
outras estruturas sensíveis do rosto”, afirma.
Casos mais graves
Para
os profissionais que atuam na linha de frente do atendimento, os pacientes
estão chegando ao hospital com lesões mais profundas.
“Percebemos
um crescimento de 25% nas internações, principalmente entre crianças. Isso
mostra que elas estão chegando com queimaduras mais graves, geralmente de
segundo grau profundo ou até de terceiro grau”, destaca Sedicias.
De
acordo com o médico, a gravidade das queimaduras infantis costuma ser maior
porque o corpo da criança possui menor superfície corporal e tecidos mais
delicados. “De forma geral, quando as crianças chegam ao hospital com esse tipo
de lesão, elas costumam apresentar queimaduras mais profundas e extensas do que
as observadas em adultos”, acrescenta.
Embora
a dor seja a consequência mais imediata, os impactos das queimaduras podem
acompanhar o paciente por muitos anos. Dependendo da área atingida, as sequelas
podem comprometer movimentos e exigir cirurgias reparadoras.
“Existem
as sequelas cicatriciais, que são bastante frequentes. Algumas cicatrizes se
formam de maneira irregular e podem gerar limitações funcionais. Quando essas
lesões acontecem em áreas como mãos, dedos, face e pescoço, podem surgir
dificuldades para movimentar articulações ou realizar movimentos simples do dia
a dia. Em alguns casos, ocorre a formação das chamadas bridas cicatriciais, que
funcionam como cordões de tecido endurecido e acabam restringindo a
mobilidade”, explica.
As
consequências também podem atingir órgãos mais sensíveis. “Podem ocorrer lesões
oculares quando a queimadura ou a explosão afeta os olhos. Também podem surgir
complicações em outras partes do corpo, dependendo da extensão e da gravidade
do acidente”, afirma.
Nem
sempre os casos mais graves são aqueles que apresentam grandes lesões na pele.
A inalação de fumaça e gases tóxicos durante incêndios ou explosões é
considerada uma das situações mais preocupantes pelos especialistas.
“Sempre
que recebemos um paciente que inalou fumaça em grande quantidade ou sofreu uma
queimadura próxima das vias aéreas, como boca, nariz e garganta, é necessária
uma avaliação imediata. Após a queimadura, o organismo inicia um processo
inflamatório que pode provocar inchaço das vias respiratórias. Esse edema pode
se desenvolver ao longo de minutos ou horas e causar dificuldade para
respirar”, alerta o médico.
Segundo
ele, mesmo quando a queimadura externa parece pequena, a lesão interna pode
colocar a vida do paciente em risco.
“Por
isso, mesmo quando existem poucos sinais de queimadura na pele, se houve
comprometimento da região da boca, do nariz ou suspeita de lesão por inalação
de fumaça, é fundamental intervir precocemente para evitar que o paciente
evolua para uma insuficiência respiratória”, ressalta.
Além
disso, o cirurgião destaca que os primeiros socorros realizados logo após o
acidente podem reduzir a gravidade da lesão e diminuir o risco de sequelas.
“A
primeira medida é diminuir a temperatura da área queimada. A pessoa deve
colocar o local atingido em água corrente fria, de preferência na torneira ou
no chuveiro. Não deve usar água quente nem gelo. O ideal é manter a região sob
água fria por cerca de 15 a 20 minutos”, orienta.
Após esse procedimento, a recomendação é proteger a área lesionada e buscar atendimento médico. Ele afirma que não devem ser utilizados gelo diretamente sobre a pele, pasta de dente, manteiga, álcool, pó de café ou pomadas sem orientação médica. Além de não ajudar, essas substâncias podem agravar a queimadura e aumentar o risco de infecção.

Foto: Divulgação.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.