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O
Santuário de Nossa Senhora das Graças, no distrito de Cimbres, em Pesqueira, no
Agreste, celebra no dia 6 de agosto os 90 anos dos relatos da aparição de Nossa
Senhora das Graças a duas meninas, episódio que deu origem a um dos principais
centros de peregrinação religiosa do estado.
Ao
longo das décadas, o local passou a receber romeiros de diferentes regiões do
país, especialmente durante as comemorações realizadas entre os meses de agosto
e setembro.
De
acordo com a tradição católica local, a primeira aparição ocorreu em 6 de
agosto de 1936, quando Maria da Conceição e Maria da Luz, que mais tarde
ingressou na vida religiosa como Irmã Adélia, afirmaram ter visto a Virgem
Maria em um monte localizado na então comunidade do Sítio Guarda, atual Aldeia
Guarda. O episódio atraiu peregrinos, que passaram a visitar o local para
momentos de oração e pedidos de graças.
Segundo
registros do santuário, poucos dias após o início dos relatos, milhares de
pessoas já participavam de romarias. Em 31 de agosto de 1936, uma celebração
reuniu cerca de cinco mil fiéis em homenagem a Nossa Senhora das Graças, título
pelo qual, segundo a tradição, a Virgem teria pedido para ser invocada naquele
lugar.
Com
o crescimento das peregrinações, a estrutura do santuário foi sendo ampliada.
Ao longo dos anos foram construídas uma capela, áreas de apoio aos romeiros e
uma escadaria com 365 degraus que facilita o acesso ao Monte das Graças. Em
1998, o então bispo da Diocese de Pesqueira, Dom Manoel Palmeira da Rocha,
decretou oficialmente o local como Santuário de Nossa Senhora das Graças.
O espaço também abriga o Mirante do Cruzeiro, inaugurado em 2005, situado a cerca de 744 metros de altitude, de onde é possível observar a paisagem da região. O monte continua sendo destino de peregrinações durante todo o ano, principalmente em datas ligadas à devoção mariana.
Relatos de fé

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Entre
os romeiros está a analista de Recursos Humanos Juliana Ferreira, de 41 anos.
Ela conta que conheceu a história de Cimbres durante a pandemia de Covid-19,
após ouvir de uma amiga relatos sobre mulheres que visitavam o santuário para
pedir pela realização do sonho da maternidade.
A
primeira visita ocorreu em fevereiro de 2021. Na ocasião, Juliana afirma que
fez orações pela irmã mais velha, que tentava engravidar havia cerca de dois
anos. Segundo ela, cerca de quinze dias depois da peregrinação, uma das irmãs
descobriu que estava grávida. Pouco tempo depois, a irmã mais velha também confirmou
a gestação.
“Na
primeira vez (em 2021), após 15 dias a minha subida, a minha irmã do meio
descobriu que estava grávida (detalhe: ela tinha apenas um ovário e pouquíssima
possibilidade de engravidar, após uma cirurgia de endometriose) e com mais 15 dias
minha irmã mais velha descobriu que também estava grávida, ou seja, minhas duas
irmãs engravidaram ao mesmo tempo”, conta.
Na
segunda vez que visitou o santuário, a devota agradeceu as bênçãos alcançadas
pelas irmãs e também fez um pedido.
“Ao
subir foi uma experiência indescritível, realmente o lugar tem uma energia e
uma paz gigantesca, é algo surreal. Na subida das escadarias, fui orando,
mentalizando algumas coisas e lá em cima fiz alguns pedidos com toda fé que
tinha. Em abril de 2023 subi novamente para agradecer as bênçãos alcançadas e
dessa vez pedi por mim, para que eu realizasse o meu sonho de ser mãe, e
novamente foi uma experiência maravilhosa”, conta.
Ela conta que, após o nascimento do filho, decidiu batizá-lo na Igreja de Nossa Senhora das Graças, no bairro da Várzea, no Recife, e pretende retornar a Cimbres para agradecer pela gestação.
Para
Juliana, manter viva a história das aparições também representa preservar um
patrimônio religioso e cultural.
“A
preservação da memória da Aparição de Cimbres é fundamental para que as novas
gerações conheçam e valorizem uma parte importante da história, da fé e da
identidade cultural de Pernambuco. Mais do que recordar um acontecimento
religioso, manter viva essa memória significa transmitir valores como
esperança, espiritualidade, respeito às tradições e fortalecimento da
comunidade.”
As celebrações alusivas ao aniversário das aparições costumam reunir missas, vigílias, momentos de adoração, oração do terço e romarias ao Monte das Graças, mantendo uma tradição iniciada há nove décadas por peregrinos que visitam o santuário em busca de devoção e reflexão religiosa.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.