
Foto: Divulgação.
Socorristas
e voluntários colombianos resgataram com vida, na terça-feira (11) à noite, uma
mulher de 32 anos que estava sob os escombros de um prédio que desabou, em meio
a gritos e aplausos, enquanto as equipes de emergência, exaustas, procuram mais
sobreviventes do terremoto mais forte registrado no país neste século.
Daniela
Largo passou mais de 35 horas sob as ruínas de um hotel e foi retirada em uma
maca dos escombros, enquanto as equipes de resgate e os parentes gritavam de
alegria.
O
terremoto de magnitude 7,4 sacudiu na manhã de segunda-feira (10) várias
cidades da região cafeteira colombiana. Em meio às ruas repletas de vidros,
pedaços de muros e cabos pendurados, avançam os trabalhos de resgate.
As
autoridades revisaram o número de mortos, reduzido para 216, depois que o
governo de Valle del Cauca e a prefeitura de Cali corrigiram os números
anteriores.
"No
momento em que estávamos perdendo as esperanças, recebemos uma ligação",
disse à AFP a mãe de Daniela, Sandra Milena Pérez, em Pereira.
Ela
explicou que um vizinho ouviu gritos de socorro e chamou voluntários e
socorristas profissionais para tentar salvar Daniela.
Em
Pereira e Cali, as cidades mais afetadas, as famílias dormem nos parques com
medo dos tremores secundários. Quadras inteiras foram reduzidas a escombros.
"Com
as mãos, com luvas, trabalhamos (...) É triste ver que o tempo está passando
para encontrar gente com vida", disse Pablo César Ruiz, voluntário em
Cali.
Busca
incansável
Beatriz
Arcos ficou presa por quase uma hora sob os escombros de seu apartamento, em
Cali. Uma parede desabou sobre ela, que foi atendida no hospital e voltou para
ver o que restou do prédio de três andares onde morava.
"É
tão rápido que nem dá para explicar. Meu marido sofreu, minha mãe feriu as
pernas", contou Beatriz, ainda com as costas doloridas. Sentada em frente
ao prédio, ela espera que seu filho consiga salvar documentos e algum pertence.
As
equipes de emergência trabalhavam com guindastes, cães e máquinas, enquanto
voluntários formavam correntes humanas para remover os escombros manualmente.
Várias
instalações hospitalares foram danificadas e muitos pacientes foram atendidos
na calçada. As escolas públicas não abriram.
Os
moradores se unem aos bombeiros com picaretas e pás e cavam com as mãos entre
os escombros. Em alguns momentos, as equipes de resgate param para escutar
algum sinal de vida. Um simples assobio de resposta anima as brigadas, explicou
o voluntário Andrés Felipe Mejía. Foi assim que chegaram até um homem e seu
neto bebê em um prédio desabado, embora a mãe da criança continuasse presa,
disse.
O
presidente Abelardo de la Espriella, que tomou posse em 7 de agosto, declarou
estado de emergência no país e visitou as cidades mais afetadas.
"Perdemos
tudo"
Localizada
no turístico Eixo Cafeteiro, Pereira foi a segunda cidade mais afetada, com 72
mortos. A maioria dos seus mais de 480 mil habitantes ficou sem acesso à
energia elétrica. Passam a noite ao relento, por medo dos tremores secundários
ou porque suas casas estão muito danificadas.
"É
coisa de filme (...) meio de terror porque está tudo escuro, mas também é muito
bonito ver como as pessoas se unem", disse Daniel Hernández, tatuador e
voluntário de 31 anos.
Um
abrigo improvisado foi instalado em um parque. Nos supermercados, faltam água e
alimentos.
"Perdemos
tudo, mas estamos vivos", disse John Tabasco, garçom de 23 anos, ao lado
de sua mulher e de seu filho de sete meses. "Foram momentos de medo,
pânico, psicose", acrescentou.
Solidariedade
Em
meio à destruição, muitos se mobilizaram para ajudar. Milhares de pessoas
levaram água, comida e suprimentos aos bairros afetados, enquanto longas filas
se formaram diante dos centros de doação de sangue.
O
epicentro do terremoto foi localizado perto de San José del Palmar, em Chocó,
uma região pobre de difícil acesso devido aos danos nas rodovias.
Durante
uma visita a Pereira na terça-feira, De la Espriella anunciou ajuda aos
desabrigados, incluindo subsídios de moradia.
O
tremor evoca a tragédia do forte terremoto de 1999, que deixou quase 1.200
mortos na zona cafeteira. O terremoto também afetou seis aeroportos e dois
permanecem fechados para voos comerciais.
O governo dos Estados Unidos, aliado do novo governo, ofereceu uma ajuda de 15,5 milhões de dólares. A União Europeia anunciou que liberou dois milhões de euros para ajudar a Colômbia.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.