
Foto: Divulgação.
Estudantes
do ensino médio que estão em tratamento contra o câncer no Hospital
Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), no Recife, passaram a ter aulas dentro da
unidade de saúde nesta segunda-feira (17). A turma funciona no Centro de
OncoHematologia Pediátrica (Ceonhpe) e é a primeira classe hospitalar voltada
para alunos dessa etapa de ensino na rede estadual de Pernambuco.
A
iniciativa é resultado de uma parceria entre a Secretaria de Educação de Pernambuco
(SEE), a Universidade de Pernambuco (UPE) e o Grupo de Ajuda à Criança Carente
com Câncer de Pernambuco (GAC). Os estudantes têm uma sala destinada às
atividades escolares, mas também podem receber acompanhamento no próprio leito
quando não têm condições clínicas de deixar o quarto.
A
criação da turma atende adolescentes que precisam permanecer afastados das
escolas de origem durante o tratamento. As atividades são adaptadas de acordo
com a situação de cada estudante e podem envolver profissionais da rede
estadual e do Atendimento Educacional Especializado (AEE).
Uma das alunas é Jamille Vitória, de 16 anos. Ela mora em Tacaratu, no Sertão de Pernambuco, e está matriculada na Escola de Referência em Ensino Médio João Batista de Vasconcelos. A adolescente foi diagnosticada com linfoma em junho e, desde então, passou a ser acompanhada no HUOC.

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Com
a internação e o tratamento, Jamille precisou interromper os estudos. Nesta
segunda, voltou a ter contato com as atividades escolares. Ela está próxima de
concluir as sessões de quimioterapia.
“Por
conta da internação, eu parei os estudos, e foi algo que mexeu muito comigo,
porque eu sou muito preocupada com o meu futuro e quero dar um futuro bom aos
meus pais. É gratificante ter uma classe hospitalar para ajudar a gente a
chegar um pouco mais perto do nosso sonho e a não parar por aqui, por mais que
seja um diagnóstico difícil. Somos adolescentes, e os sonhos não param”, disse
Jamille.
Segundo
a mãe da adolescente, Jussilene de Araújo, a filha tinha o desejo de se tornar
policial federal. Durante o tratamento, porém, passou a considerar também a
possibilidade de seguir uma carreira na área da saúde, influenciada pelos
profissionais que acompanham os pacientes no hospital.
A classe hospitalar permite que os conteúdos sejam trabalhados mesmo quando o aluno não consegue acompanhar a rotina convencional de uma escola. As atividades podem ser realizadas na sala ou no leito, conforme as condições de cada paciente.
De
acordo com a Secretaria de Educação, a proposta é manter o vínculo dos
adolescentes com a vida escolar durante o período de tratamento e evitar que a
interrupção das aulas comprometa a continuidade dos estudos.
Antes da abertura da turma do ensino médio, o GAC já mantinha atendimento educacional para crianças em tratamento no hospital. A nova classe amplia esse atendimento para estudantes mais velhos, incluindo pacientes de até 19 anos incompletos acompanhados pelo serviço.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.