
Foto: Divulgação.
O clima esfriou, mas o calor da presença pernambucana segue aquecendo o 54º Festival de Cinema de Gramado, evento que encerra sua programação com a cerimônia de premiação deste sábado (22).
Exibido na competição de longas
documentais, “Empeleitada” emocionou a plateia com a história da construção de
uma casa de taipa do povo indígena Xucuru. Rodado em Pesqueira, o filme revela
como uma feitura coletiva pode se transformar em uma poderosa forma de
manutenção da memória espiritual.
“Queremos fortalecer nossa identidade e nossas vivências, fazendo ecoar a nossa ancestralidade através das imagens de uma realidade que precisa ser conhecida. Apesar de o filme tratar do povo Xucuru, a ideia é que outras lutas de outros povos indígenas também cheguem às pessoas”, afirma Micaele Xucuru, que dirige o longa ao lado de Chico Ludemir e Sérgio Borges.
“Essa palavra que dá nome ao filme deriva de ‘empreitada’, sim, mas significa mais do que ‘obra’ ou ‘tarefa’. Ela relaciona a força física com a espiritualidade e a luta pela retomada do território”, explica Chico. “A gente tenta resgatar um processo histórico muito importante, que é o assassinato de Chicão Xucuru, a invisibilidade no Brasil e essencial para o movimento de devolução dessas terras indígenas”, acrescenta Sérgio.

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Através
de imagens simultaneamente realistas e pictóricas, de um som cuidadoso e de
closes expressivos nos membros mais velhos do povo, o documentário concentra
sua força na ritualização dos gestos e dos corpos. Cada etapa da construção é
sentida pelo espectador, atento à importância da coletividade para a
preservação da história, não apenas do povo, mas do próprio trabalho em grupo.
Outro destaque pernambucano da programação competitiva foi o inusitado curta “Graxa e o Zepelim”, dirigido por Camilo Soares, que mescla distintos formatos e atravessa vários momentos do cinema, desde o início até o futurismo, para contar a história do músico protagonista, que reflete com os moradores do Recife sobre diversos assuntos a partir da ideia do verdadeiro progresso. Os realizadores, no palco, alertaram o público de que o filme seria uma viagem diferente — e estavam certos.
Ainda nos últimos dias, aconteceu na Serra Gaúcha a primeira edição da Residência para Jovens Cineastas, que contou com a participação de quatro nomes da nova geração do cinema pernambucano: Thiago Ferreira, João Damasceno, Marjorie Louise e Tainá Brasileiro. O projeto faz parte da programação do Conexões Gramado Film Market. Ao longo de três dias de imersão, os participantes tiveram acesso a 17 painéis, masterclasses, palestras e atividades de networking com profissionais de diferentes áreas do mercado audiovisual.

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“Sempre acompanhei o festival como cinéfilo, de longe, mas nunca tinha vindo. Quando fui selecionado para a residência, até demorou para cair a ficha. A carreira no audiovisual se constrói de forma muito gradual, então poder começar esse processo justamente com o prestígio de Gramado é a melhor forma de aprender e fazer conexões”, comenta Thiago Ferreira, atualmente doutorando em Comunicação pela UFPE e com um curta-metragem chamado “As Criaturas” em processo de desenvolvimento.
“Foram
dias que contribuíram demais para a gente entender quais são as melhores
estratégias profissionais nesse meio e também para pensarmos criativamente
sobre o universo cinematográfico. Poder ouvir nomes como Sílvio Guindane,
cineasta inclusive premiado aqui em Gramado, falando sobre suas obras e
compartilhando suas experiências tem sido muito recompensador”.
"Foi bem intenso. Tivemos com uma programação de palestras de assuntos muito diversos e interessantes nesse período de 3 dias, e também tentamos conciliar com a programação do próprio festival à noite, com os filmes. Somos 60 selecionados no total, uma turma bem diversa entre si, com muitas pessoas também fora do eixo Rio-SP", adiciona ainda João Damasceno, mineiro radicado em Pernambuco.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.