
Foto: Divulgação.
A defesa do professor denunciado após ter agarrado e mordido uma aluna em academia do bairro do Passarinho, na Zona Norte do Recife, afirma que o ato se tratou de uma "brincadeira infeliz e despropositada" após a vítima manifestar desestímulo para realizar treinamento.
O caso aconteceu em 19 de maio deste ano e foi gravado por uma câmera de segurança da academia ElevaFit. À época dos fatos, o profissional foi denunciado à polícia e chegou a ser demitido, porém, recentemente, voltou a atuar no estabelecimento, trazendo o caso novamente à tona.
A nota publicada pelos três advogados de defesa do profissional destaca que o professor ficou surpreso com as acusações formuladas e que os fatos narrados não correspondem com a verdade dos acontecimentos.
Na publicação, a defesa alega que existia uma relação de intimidade e confiança entre a aluna e o professor, identificado no documento como Filipe Gomes da Silva.
"Ela frequentemente levava lanches para ele. Essa interação, embora cordial, transcendia a relação profissional típica do ambiente de trabalho", inicia a nota.
Ao narrar a atitude do profissional, a defesa destaca que, no dia em questão, a aluna manifestou desestímulo para treinar e que o educador físico teria falado "se você não treinar, vou lhe morder”.
Ainda segundo os advogados, o gesto foi executado de forma lúdica e descontraída, destituída de conotação ou intenção sexual.
"Filipe reconhece que sua conduta extrapolou os limites tanto da relação interpessoal quanto das normas profissionais esperadas, e por isso assume responsabilidade por tal comportamento inadequado. Contudo, nega veementemente que suas ações tenham sido motivadas por qualquer teor sexual", destaca a nota.
O documento divulgado pela defesa afirma que aguarda uma análise isenta e fundamentada das circunstâncias para que a verdade seja restabelecida.
"A
defesa confia na compreensão dos fatos em sua verdadeira dimensão e reafirma o
compromisso de Filipe Gomes da Silva em colaborar integralmente com as
investigações, disponibilizando todas as provas e testemunhas necessárias para
o esclarecimento completo do caso", diz o comunicado, assinado pelos
advogados Maria Julia Leonel Barbosa, Bruno Cícero Romão da Silva e Ivanilson
da Silva Albuquerque. Confira a íntegra da nota ao final do texto.
A reportagem tenta contato com a vítima para solicitar outras informações sobre o caso. O espaço segue aberto.
Relembre o caso
Em entrevista ao g1, a vítima informou que malhava no local há aproximadamente
um ano e que o instrutor costumava a ter "atitudes desagradáveis" com
ela. A mulher relatou não o conhecer e disse que praticava exercício na data do
ocorrido quando foi abordada pelo instrutor.
"Ele disse 'deixa eu te dar um abraço' e eu respondi 'não, me dê um murrinho [na mão], não me abrace, não'. Ele veio, me agarrou sem meu consentimento e mordeu minhas costas. Eu fiquei muito estressada, ele notou e disse que era uma brincadeira. Na hora, eu fiquei sem forças, sem reação", afirma a aluna.
O vídeo mostra quando o instrutor segura a aluna pela cintura, a morde nas costas e simula que vai derrubar a mulher. Quando ela se solta, sai andando para longe dele e limpa o local da mordida. O homem chega a fazer um coração com as mãos em direção à vítima.
Outras pessoas estavam no local, mas não reagiram. A denúncia foi registrada pela vítima três dias depois, e o homem, afastado do estabelecimento.
O caso teve novo desdobramento na quarta-feira (19), três meses depois do ocorrido, quando a mulher encontrou o instrutor atuando na mesma academia. Ela afirma ter ligado para a delegacia onde foi registrado o boletim de ocorrência e ter sido orientada a ir presencialmente prestar queixa.
A vítima destaca que, na quinta-feira (20), esteve na Delegacia da Mulher de Santo Amaro, na área central do Recife, onde registrou a caso como importunação sexual, assédio sexual e lesão corporal.
A reportagem procurou a Polícia Civil de Pernambuco, que informou ter registrado no dia 22 de maio, na 15ª Delegacia da Mulher em Olinda, as ocorrências de importunação sexual e assédio sexual, ocorridas no interior de uma academia, tendo como vítima uma mulher de 25 anos.
"Um inquérito policial foi instaurado para apurar todos os fatos e a investigação segue em andamento", ressaltou a corporação.
Em nota enviada à Folha de Pernambuco na sexta-feira (21), a ElevaFit informou que ao tomar conhecimento do caso no mês de maio, tratou a situação com seriedade e adotou providências com o desligamento do profissional.
"A academia não coaduna, não normaliza e não concorda com a atitude praticada pelo profissional. Desde o ocorrido, também se colocou à disposição para cooperar e prestar todo o suporte possível à aluna envolvida, inclusive disponibilizando a ela as imagens do ocorrido", afirma o comunicado.
Ainda de acordo com a nota, o homem não foi readmitido e nem reintegrado ao quadro de funcionários, e sim cobrindo diárias de dois profissionais afastados.
"Diante dessa emergência e após tentativas de conseguir outros profissionais para realizar essas substituições, o ex-profissional foi chamado pontualmente para a cobertura de apenas duas diárias. Não houve readmissão ou retorno definitivo ao quadro da academia", destaca a ElevaFit.
A academia reconhece que a decisão pontual pode causar questionamentos, mas esclarece que "jamais houve intenção de minimizar o ocorrido".
Confira a nota da defesa do professor na íntegra:
"A defesa de FILIPE GOMES DA SILVA, acusado de importunação sexual contra uma aluna em academia Recife/PE, vem por meio desta nota esclarecer que os fatos narrados não correspondem à verdade dos acontecimentos.
Contextualizando os eventos: existia uma relação de intimidade e confiança entre professor e aluna, caracterizada por diálogos frequentes sobre questões pessoais e cuidado, em que, por exemplo, ela frequentemente levava lanches para ele. Essa interação, embora cordial, transcendia a relação profissional típica do ambiente de trabalho.
No dia em questão, a aluna manifestou desestímulo para realizar o treinamento. Nesse contexto, o educador físico, em uma brincadeira infeliz e despropositada, proferiu a frase “se você não treinar vou lhe morder”, executando o gesto de forma lúdica e descontraída, destituída de qualquer conotação ou intenção sexual.
Filipe reconhece que sua conduta extrapolou os limites tanto da relação interpessoal quanto das normas profissionais esperadas, e por isso assume responsabilidade por tal comportamento inadequado. Contudo, nega veementemente que suas ações tenham sido motivadas por qualquer teor sexual. Reafirma que nunca manteve qualquer interação desta natureza com a referida aluna ou com qualquer outra, encontrando-se genuinamente surpreso com as acusações formuladas.
Diante do exposto, a defesa confia na compreensão dos fatos em sua verdadeira dimensão e reafirma o compromisso de Filipe Gomes da Silva em colaborar integralmente com as investigações, disponibilizando todas as provas e testemunhas necessárias para o esclarecimento completo do caso. Aguarda-se uma análise isenta e fundamentada das circunstâncias, a fim de que a justiça prevaleça e a verdade seja restabelecida.
MARIA JULIA LEONEL BARBOSA
OAB/PE nº
41.815
BRUNO CÍCERO ROMÃO DA SILVA
OAB/PE nº
71.345
IVANILSON DA SILVA ALBUQUERQUE
OAB/PE
33.626
FONTE: FOLHA PE.