
Foto: Divulgação.
O
número de crianças internadas por pneumonia no Instituto de Medicina Integral
Professor Fernando Figueira (IMIP) aumentou 66,7% entre janeiro e agosto deste
ano, na comparação com o mesmo período de 2025. Foram cerca de 250 internações
por pneumonia registradas em 2026, contra aproximadamente 150 no ano passado.
Atualmente, cerca de sete crianças permanecem internadas com diagnóstico da
doença na unidade.
O
aumento ocorre no mesmo período em que o Sistema Único de Saúde (SUS) começou a
incorporar a vacina Pneumocócica 20-Valente (Conjugada), imunizante que amplia
a proteção infantil contra a bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por
doenças como pneumonia, meningite, otite, sinusite e sepse.
Segundo
a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE), o Estado recebeu 85.700
doses da Pneumocócica 20-Valente desde junho. As doses são distribuídas pelo
Programa Estadual de Imunizações de Pernambuco (PEI/PE) às 12 Regionais de
Saúde, responsáveis pelo repasse aos 184 municípios e ao Arquipélago de
Fernando de Noronha.
No
IMIP, foram recebidas 180 doses e 130 já foram aplicadas. A unidade, referência
no atendimento pediátrico, ainda avalia o impacto da nova vacina sobre os casos
graves. De janeiro a agosto, cerca de 650 crianças foram atendidas no instituto
com sintomas ou suspeita de pneumonia. O número é semelhante ao registrado no
mesmo período de 2025.
Para
a coordenadora de Pediatria do IMIP, Tereza Rebeca, ainda é cedo para
relacionar a chegada da nova vacina a uma mudança no perfil das internações.
“Como
a vacina foi implementada em julho, ainda temos pouco tempo para avaliar esse
impacto. Mas, sem dúvida, esperamos um impacto importante”, afirma.
A
Pneumocócica 20-Valente protege contra 20 sorotipos do pneumococo, dez a mais
do que a vacina Pneumocócica 10-Valente utilizada anteriormente. A ampliação é
considerada importante porque diferentes sorotipos da bactéria podem provocar
infecções em crianças.
“A
vacina pneumocócica 20-valente é uma vacina que protege contra as formas graves
de doenças causadas pelo pneumococo, que é uma bactéria chamada Streptococcus
pneumoniae. A diferença da vacina 20-valente para a 10-valente é que ela cobre
dez sorotipos a mais”, explica Tereza Rebeca.
A
médica destaca que o pneumococo não está relacionado apenas à pneumonia. “Além
de pneumonia, o pneumococo é responsável por várias outras infecções
respiratórias, como otite e sinusite, e por infecções como meningite e sepse. A
ampliação da vacina de dez sorotipos para 20 sorotipos é um avanço, porque
protege mais contra formas diferentes da bactéria agredir as crianças”, afirma.
Esquema
de vacinação
Durante
o período de transição para o novo calendário, o esquema infantil utiliza as
vacinas Pneumocócica 20-Valente e Pneumocócica 10-Valente. De acordo com a
SES-PE, o esquema básico é formado pela primeira dose da 20-Valente aos dois
meses, segunda dose da 10-Valente aos quatro meses e reforço com a 20-Valente
aos 12 meses.
A
vacina está indicada no SUS para crianças de 2 meses a 4 anos, 11 meses e 29
dias. Tereza Rebeca explica que crianças que já iniciaram o esquema com a
vacina anterior podem completar a vacinação de acordo com as orientações do
calendário de transição.
“Durante
esse período de transição, em que algumas crianças já tomaram, por exemplo, a
primeira dose da vacina 10-Valente, elas completam o esquema com a 20-Valente.
E as crianças que já tomaram as duas vacinas podem tomar o reforço com a
20-Valente”, explica.
Segundo
a pediatra, quem já recebeu o esquema completo anteriormente não precisa ser
revacinado apenas por causa da chegada da nova vacina. “Se já tomou o esquema
completo, a criança não precisa revacinar com a 20-Valente”, afirma.
Apesar
da distribuição do novo imunizante, Pernambuco ainda não alcançou a cobertura
considerada ideal para a proteção coletiva. Dados da Rede Nacional de Dados em
Saúde (RNDS), captados em 24 de agosto, apontam cobertura de 86,95% para a
vacina pneumocócica conjugada e de 83,89% para a dose de reforço.
A
meta de cobertura vacinal considerada adequada é de 95%. “A cobertura vacinal
ideal, a meta, é de 95% para que haja uma proteção adequada de toda a
população”, diz Tereza Rebeca.
A diferença entre a cobertura registrada e a meta preocupa porque crianças pequenas estão entre os grupos mais suscetíveis às formas graves da doença. No IMIP, a faixa etária mais frequente entre os pacientes atendidos por pneumonia é a de menores de dois anos.
Internações graves e
prevenção
O aumento registrado pelo
IMIP ocorre em um cenário que, segundo a pediatra, já vinha apresentando maior
ocorrência de formas graves de pneumonia nos últimos anos. A unidade também
atende crianças com doenças crônicas que podem aumentar a vulnerabilidade às
infecções.
“O cenário no Brasil ainda é
preocupante. Ainda temos casos graves de pneumonia e alto número de
internamentos, principalmente após a pandemia, que gerou uma diminuição
inclusive da cobertura vacinal”, afirma.
Segundo ela, a pandemia
também foi acompanhada por casos de coinfecção com outros vírus, aumentando a
complexidade de alguns quadros. “Nós somos referência em pacientes com doenças
como fibrose cística, cardiopatias e outras doenças graves, que levam a maior
suscetibilidade a formas graves de pneumonia. Nos últimos anos, em relação à
pandemia, tivemos um aumento de números de formas graves da doença”, explica.
Conforme dados da
Organização Mundial da Saúde (OMS), a pneumonia infantil responde por 14% das
mortes entre crianças de 0 a 5 anos no mundo. A doença pneumocócica também está
entre as principais causas de mortalidade infantil por doenças que podem ser
prevenidas por vacinação.
A imunização é uma das
principais formas de prevenção, mas não é a única medida recomendada pelos
especialistas. A pediatra do IMIP aponta o aleitamento materno exclusivo até os
seis meses, alimentação adequada, higiene e redução da exposição de bebês a
ambientes de aglomeração como medidas de proteção.
Prematuros e crianças com
doenças crônicas, como cardiopatias e pneumopatias, estão entre os grupos com
maior risco de desenvolver formas graves.
“É mais fácil falar dos
fatores protetores. É importante garantir o aleitamento materno exclusivo até
os seis meses de vida, uma alimentação balanceada e adequada e evitar a
exposição de crianças menores de seis meses a aglomerações e ambientes de
risco”, orienta.
Os pais também devem
observar sinais que podem indicar a evolução para um quadro de pneumonia. Tosse,
febre, cansaço, redução da atividade habitual e aumento da frequência
respiratória estão entre os sintomas. Em bebês, um dos sinais de alerta é o
esforço para respirar.
“A forma dos pais
identificarem é observar e conhecer a respiração normal da criança e perceber
se ela está respirando mais rápido ou com mais dificuldade. A barriga entrando
na costelinha, o que a gente chama de tiragem, pode ser um sinal de desconforto
respiratório”, explica.
A orientação é procurar
atendimento médico diante de sinais de gravidade, como dificuldade para
respirar, cansaço ou alteração significativa do comportamento da criança.
“Os sinais e sintomas que
necessitam de atendimento médico imediato são cansaço, dificuldade de respirar
ou hipoatividade, aquela moleza”, afirma.
Para o IMIP, a expectativa é
de que a ampliação da proteção proporcionada pela Pneumocócica 20-Valente
contribua para reduzir os casos graves e, consequentemente, as internações e
mortes por pneumonia infantil.
“Nós temos a esperança, sim, de que, com a chegada da Pneumo 20, tenhamos uma melhora, uma diminuição das internações por formas graves da doença e, consequentemente, das mortes por pneumonia infantil”, conclui a pediatra.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.