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A partir de hoje, a propaganda eleitoral gratuita volta a ser exibida em rádio e televisão para os candidatos que disputam o segundo turno das eleições para a Presidência e para os governos estaduais e do Distrito Federal. O novo período de publicidade vai até 23 de outubro, dois dias antes da votação.
Na disputa nacional, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terão cinco minutos cada nos blocos exibidos. No rádio, os programas eleitorais são exibidos às 7h, tendo um novo horário às 12h. Na televisão, as publicidades são exibidas às 13h e têm um novo horário à noite, às 20h30.
Além dos blocos de propaganda nos horários definidos, as emissoras irão reservar 25 minutos diários para inserções dos candidatos ao longo da programação. O tempo é dividido de forma igualitária.
Análise
Para o cientista político Álvaro Azevedo Neto, o novo formato do guia deve favorecer as comparações entre as candidaturas. Ele acrescenta ainda que a qualidade das propagandas deve ter um peso maior neste momento.
"Como temos só dois candidatos e blocos idênticos, ele vira um duelo direto, sem diluição. Entendo que isso pode favorecer a comparação que Lula busca, mas também dá a Flávio o mesmo espaço para responder a cada ataque. A igualdade tira a desculpa da estrutura e transfere o peso para a qualidade da mensagem", analisa.
No que diz respeito às estratégias, o
cientista político Isaac Luna projeta um modelo de guia diferente utilizado por
Lula. No caso de Flávio, ele afirma que a tendência é a manutenção da narrativa
utilizada na propaganda do primeiro turno.
"Eu penso que o guia do PT, do presidente Lula vai mudar a estratégia e vai apresentar uma perspectiva de futuro maior, além de comparar as biografias de quem é Lula e de quem é Flávio Bolsonaro. Acredito que o guia seguirá essa lógica de consertar um equívoco do primeiro turno, que foi não apresentar uma expectativa de futuro, se baseando só no passado", iniciou.
"Do outro lado, eu acho que o guia de Flávio vai continuar falando de mudança, de corrupção, de juventude, focado nesse público mais conectado, e vai manter a narrativa que levou Flávio a vitória no primeiro turno. Ele também vai apresentar as alianças, mostrar que a maior parte dos candidatos derrotados que não foram pro segundo turno aderiram à sua campanha", concluiu.
Internet
Assim como no primeiro turno, as redes sociais devem ter um papel ainda mais
importante nas campanhas dos candidatos. Azevedo Neto destaca as plataformas
como uma ampliação do alcance dos postulantes.
"As redes sociais cumprem três papéis no segundo turno: multiplicam o alcance do guia e dos debates por meio de cortes; mobilizam os cerca de 33 milhões de eleitores que se abstiveram, o que é prioridade para Lula e se faz por segmentação digital e WhatsApp; e servem de terreno para ataques e desinformação, difíceis de desmentir em apenas três semanas", explica.
Luna frisa que quem conseguir se sobressair nas redes pode se sacramentar o vencedor da disputa. "O cargo-chefe do segundo turno da campanha vai ser recuperar ou ocupar esse campo das redes sociais. Embora a propaganda eleitoral gratuita tenha importância e não possa ser desprezada, a grande disputa que vai definir o jogo continua estando nas plataformas digitais", opina.
Atos
Hoje também volta a ser permitida a realização de outros atos de campanha como comícios, carreatas, caminhadas e distribuição de panfletos. Para esses atos, o prazo se encerra no dia 22 de outubro.
"Nas ruas, Lula deve priorizar o comparecimento, reforçando o Nordeste e disputando o Sudeste, onde não tem palanque petista em estados grandes. Flávio deve priorizar alianças, com atos ao lado de governadores eleitos e apoiadores como Zema, buscando o centro e consolidando Sul e Sudeste", aponta Azevedo Neto.
Luna complementa ainda que ambos os candidatos devem focar nas abstenções do primeiro turno em seus atos. "Eu acredito que as duas campanhas vão focar em quem não votou. Se juntar (votos) brancos e nulos com abstenção, nós temos quase 40 milhões de brasileiros que não votaram. É um número suficiente para decidir a eleição", avalia.
FONTE: FOLHA PE.