Publicada em 30/10/2026 às 12h51.
Voo de fuga de Flávio foi pago por intermediário a partir dos EUA, diz dono do avião
Empresário argentino Luis Grande, proprietário da companhia Baires Fly, responsável pelo transporte de Flávio, confirmou à AFP a informação em uma conversa por telefone.

Foto: Divulgação.   


  O voo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para fugir do Brasil foi contratado e pago por um intermediário do setor aeronáutico, por meio de uma conta nos Estados Unidos, informou nesta quinta-feira à AFP o dono da empresa aérea.


Acompanhado de sua família, Flávio partiu da Argentina em um jato particular na madrugada de ontem, com destino ao estado americano da Flórida, depois que a polícia cancelou seus passaportes em uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro.


Flávio não reconheceu sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de domingo e afirmou que vai liderar a oposição a partir dos Estados Unidos.


"Fui contratado por um broker que conheço há dez anos, que vende voos e mora nos Estados Unidos", disse à AFP o empresário argentino Luis Grande, proprietário da companhia Baires Fly, responsável pelo transporte de Flávio, em uma conversa telefônica de um apartamento que possui na Flórida.


Desde a fronteira


Grande disse que o intermediário havia solicitado o voo para segunda-feira e depois o adiou para a tarde de terça, mas Flávio e a família acabaram partindo após a meia-noite, do aeroporto argentino de Puerto Iguazú, na fronteira com o Brasil, após passarem pelo controle migratório por terra, segundo autoridades argentinas.

A decolagem foi realizada com documentos "em dia" e sem "impedimento da Interpol", ressaltou hoje o chefe de gabinete de Javier Milei. O presidente argentino protagoniza há meses uma crise diplomática com Lula.


Segundo a imprensa argentina, Flávio teria chegado ao aeroporto em uma caminhonete filmada por canais de TV, mas uma fonte do setor aéreo afirmou à AFP que, naquele momento, ele já estava no avião, após entrar por outro acesso.


Ainda não se sabe como Flávio se deslocou de Brasília até a região de fronteira. Ele embarcou com um passaporte italiano, segundo um documento do voo visto pela AFP.


'Vergonha'


O presidente americano, Donald Trump, evitou responder se reconhece a vitória de Lula.


"Acompanhei as eleições. Não tomei partido, mas vi o que estava acontecendo no Brasil, foi uma vergonha", disse, hoje, antes de um ato eleitoral.


O governo brasileiro considera conveniente no momento não polemizar com os Estados Unidos a respeito de Flávio e reagir com sobriedade e pragmatismo, uma vez que se sente em posição de força após a vitória eleitoral, disse um interlocutor de Lula. Segundo a fonte, a percepção em Brasília é de que as declarações de Trump sobre Flávio, que descreveu como ambíguas, devem-se ao fato de ele estar tentando um discurso que proteja seus aliados sem comprometer os interesses americanos.



FONTE: FOLHA PE.




                

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