Publicada em 16/08/2016 às 15h12.
MPF investiga se patrocínio à Rio-2016 tentou driblar fiscalização
Procuradoria quer analisar o planejamento feito pela Apex para explorar a imagem do evento.

O Ministério Público Federal investiga se o patrocínio da Apex (Agência de Promoção de Exportações) firmado na véspera da abertura da Olimpíada foi uma forma de simular transferência de recursos públicos para o comitê organizador Rio-16 fugindo da fiscalização.


A procuradoria quer analisar o planejamento feito pela agência para explorar a imagem do evento. Para o procurador Sérgio Pinel, o repasse sem um plano de marketing descaracteriza o patrocínio de R$ 30 milhões acertado um dia antes da cerimônia de abertura.


"O contrato de patrocínio tem que indicar os benefícios para quem está patrocinando o evento. O fato de ter sido assinado muito em cima da hora faz com que o patrocinador não possa explorar todo o benefício que o patrocínio poderia gerar", afirmou Pinel.


Os patrocínios de empresas públicas não sofrem fiscalização. Por este motivo, o comitê organizador tem escolhido essa via para receber o apoio do governo federal para a realização do evento.


A União se comprometeu em repassar cerca de R$ 150 milhões para cobrir o déficit do comitê organizador para organização da Olimpíada e Paraolimpíada. Para isso, o presidente interino Michel Temer tem tentado mobilizar estatais para patrocinar o evento – a Apex foi a primeira a firmar o acordo.


Como a Folha revelou no sábado (13), a Justiça vetou o uso de recursos públicos da União e do município para o comitê. A decisão, mantida em segunda instância, não deixa claro se afeta também o patrocínio da Apex.


Pinel afirma que em audiência na Justiça Federal, advogados do comitê organizador disseram ter orientado a entidade a não usar a verba da Apex até que a questão seja esclarecida. Por contrato, R$ 20 milhões seriam repassado na segunda (15).


À Justiça, o comitê disse que o bloqueio de verbas públicas comprometeriam a realização do evento. Para Pinel, trata-se de um "argumento catastrófico".


"O valor se refere a menos de 4% do orçamento do comitê [de R$ 7,4 bilhões]. Até julho eles diziam à Justiça que não tinham déficit nenhum. Não houve nenhum evento extraordinário nesse meio tempo", afirmou o procurador.


A transferência de recursos públicos está condicionada à entrega de detalhes de gastos e receitas do comitê à Justiça, Ministério Público Federal e TCU (Tribunal de Contas da União). A Rio-16 ainda resiste em entregar detalhes. Afirma que os balanços financeiros anuais estão disponíveis na internet.

 

 

Folha PE

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