Publicada em 17/08/2016 às 15h13.
Senado marca para o dia 29 depoimento de Dilma Rousseff
Presidentes do Senado e do STF fizeram roteiro do julgamento de Dilma.

O julgamento final do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff no Senado, marcado para ter início no dia 25 de agosto, uma quinta-feira, poderá se estender pelo fim de semana caso ainda falte ouvir alguma testemunha. No entanto, não há definição sobre isso agora, pois vai depender do desenrolar da sessão de sexta-feira (26).


A decisão de não determinar um horário para interromper a sessão foi acordada nesta quarta-feira (17) em uma reunião entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowsi, que comandará o julgamento, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e líderes partidários.


O único compromisso acertado em relação a isso é que a fase de depoimento das testemunhas tem que estar encerrada a tempo de dar início à sessão na segunda-feira (29), às 9h, para ouvir a presidente afastada.


Controversa, a questão foi uma das principais polêmicas da reunião, o que fez com que ela se alongasse por mais de duas horas.


Senadores da oposição defendiam que a sessão de depoimentos fosse interrompida na noite de sexta.


Lewandowski, porém, era contra interromper o julgamento no meio já que as testemunhas terão que ficar isoladas em quartos de hotéis em Brasília enquanto durar essa etapa, o que poderia ser bastante desgastante para elas.


Pelos cálculos de técnicos do Supremo, se tudo correr dentro do cronograma previsto, o depoimento de testemunhas deverá terminar na noite de sexta ou madrugada de sábado.


Rito


Encerrado o depoimento das testemunhas, o julgamento será retomado na segunda-feira com um prazo de 30 minutos de Dilma fazer uma manifestação inicial antes de ser interrogada.


Mais cedo nesta quarta, a petista confirmou que pretende comparecer pessoalmente ao Senado. Ela responderá a perguntas feitas tanto pelo presidente do STF quanto pelos senadores, advogados de acusação e de defesa.


Em seguida, haverá tempo para a acusação e a defesa se pronunciarem. E, depois, senadores terão prazo para se manifestar o processo. Não há previsão de quando a votação deverá acontecer. A estimativa do presidente do Senado é que haja um desfecho na terça-feira (30).


Veja o cronograma do julgamento final do impeachment:


Quinta-feira (25): depoimentos de testemunhas.


Sexta-feira (26): depoimentos de testemunhas.


Segunda-feira (29): depoimento Dilma Rousseff / Fala dos advogados de acusação e de defesa.
Terça-feira (30): discussão entre senadores, encaminhamento de votação. Não há previsão de término do julgamento, mas a última etapa é a votação, que acontece após o encaminhamento.


Veja as regras acordadas para o julgamento


- Na quinta-feira (25), questionamentos ao andamento do processo (questões de ordem) deverão ser formulados em cinco minutos. Haverá o mesmo tempo para manifestações contrárias à questão de ordem antes da resposta a ela a ser feita por Lewandowski sem recurso ao plenário do Senado;


- Depois das questões de ordem, serão ouvidas, a partir de quinta-feira, as testemunhas. Os depoimentos delas serão tomados individualmente. Senadores farão perguntas diretamente às testemunhas. Serão três minutos para perguntas e três para respostas, com direito a réplica e tréplica em igual tempo, somando seis minutos para cada.


- Acusação e defesa têm direito a seis minutos cada para fazer perguntas às testemunhas, que também devem responder em seis minutos, com direito a réplica e tréplica por quatro minutos.


- Os depoimentos das testemunhas devem acabar na sexta-feira (26), mas podem se estender pela madrugada de sábado (27).


- Provavelmente, na segunda-feira (29), Dilma terá 30 minutos para fazer uma exposição inicial antes de ser interrogada.


- Presidente do STF, senadores, acusação e defesa terão cinco minutos cada para fazer perguntas a Dilma. Não há limite de tempo para resposta da presidente afastada. À petista é concedido o direito de permanecer calada.


- Depois da participação de Dilma, acusação e defesa terão uma hora e meia para debater o processo. Serão permitidas ainda réplica e tréplica de uma hora. Se a acusação não utilizar a réplica, não haverá tempo para a tréplica da defesa.


- Depois disso, senadores inscritos também poderão discutir o processo. Cada um terá dez minutos. A lista de inscrição se poderá ser preenchida antes da discussão.


- Encerrada a discussão entre senadores, Lewandowski lerá um resumo do processo com as fundamentações da acusação e da defesa.


- Dois senadores favoráveis ao impeachment de Dilma e dois contrários terão cinco minutos cada para encaminhamento de votação.


- Após o encaminhamento, Lewandowski questionará aos senadores o seguinte:


“Cometeu a acusada, a senhora presidente da República, Dilma Vanna Rousseff, os crimes de responsabilidade correspondentes à tomada de empréstimos junto à instituição financeira controlada pela União e à abertura de créditos sem autorização do Congresso Nacional, que lhes são imputados e deve ser condenada à perda do seu cargo, ficando, em consequência, inabilitada para o exercício de qualquer função pública pelo prazo oito anos?”


- A votação será nominal, via painel eletrônico. Depois o resultado será proclamado.


- Se pelo menos 54 senadores votarem a favor do impeachment, Dilma será definitivamente afastada e ficará inelegível por 8 anos a partir do fim de 2018, quando se encerraria o seu mandato.


- Se o placar de 54 votos favoráveis ao impedimento não for atingida, o processo será arquivado e Dilma reassumirá a Presidência da República.

 

 

 

G1

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