O final de ano será de aperto para muitas famílias pernambucanas. Cerca de sete em cada 10 deverão estar endividadas. Pior, dessas sete, pelo menos uma delas não sabe como irá efetuar o pagamento do débito. Esse foi o diagnóstico encontrado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) realizada pelo Instituto Fecomércio. O estudo mostra piora nas dívidas das famílias pernambucanas pelo terceiro mês consecutivo.
Em outubro, havia 69,8% de endividadas. O número aumentou em relação a setembro, quando era de 68,8%. Porém, o valor é inferior ao mesmo período do ano anterior quando atingiu 71,9%, apontando uma piora mensal e uma melhora anual. A parcela mais preocupante é a das que informam não ter condições de efetuar o pagamento, que saiu de 13% em outubro de 2015, para 17,4%. É o fenômeno do superendividamento, que ocorre quando há impossibilidade do devedor (pessoa física) de pagar todas as suas dívidas atuais e futuras.
Rafael Ramos, economista do Instituto Fecomércio, explica que o quadro é um reflexo da inflação crescente e do aumento do desemprego e que ele atinge maior número de famílias que têm renda próxima a um ou dois salários mínimos. Para ele, o principal vilão aparece claramente na análise: o cartão de crédito. Ele é o responsável pelo endividamento de 92,7% dos pernambucanos, seguido pelos famosos carnês de prestação (11,5%), crédito pessoal (4,3%), crédito consignado (3,8%) e do cheque especial (3,7%). “Por isso, a primeira dívida que deve ser quitada é a do cartão de crédito. Sempre indicamos que as pessoas priorizem esse débito porque os juros estão batendo recorde. Só nos últimos 12 meses, subiram 470%. É uma dívida que precisa de toda a atenção do consumidor”, reforça.
AUXÍLIO
Para quem se encontra numa situação complicada, há esperança de negociar os débitos com a ajuda de núcleos ligados ao Procon e ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Funcionando há uma semana, o Núcleo de Apoio ao Superendividado do Procon-PE em parceria com a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) faz um raio X e conciliação. Danielly Sena, coordenadora do núcleo, explica que o aconselhamento é aprofundado e reúne uma equipe multidisciplinar com psicólogo, assessor jurídico, educador financeiro e calculista. “A grande dica é que, no caso do superendividamento, não adianta negociar separadamente as parcelas. O mais eficaz é reunir todos os credores e encontrar um valor consensual que possa ser efetivamente quitado mensalmente. É o que fazemos com os consumidores. Com negociações diferentes, muitas vezes, o endividado se perde e acaba entrando numa situação mais complicada ainda.”
O procedimento é o mesmo seguido no Núcleo Proendividados do TJPE. Vivian Tavares, chefe do núcleo do TJ, adianta que o primeiro passo para quem quer sair do vermelho é ter consciência do seu orçamento e de suas dívidas. “Tem que fazer conta. Colocar no papel quanto ganha, quanto deve, para quem deve, quais as contas fixas que não podem ser atrasadas (como energia, água, aluguel)”, detalha. De acordo com ela, essa é a melhor época do ano para limpar o nome no mercado.
Diairo de Pernambuco