Publicada em 22/11/2016 às 10h47.
Apenas 23,7% do esgoto produzido pela população de Maragogi é coletado por rede
Em 2010, o percentual da população atendida por rede coletora em Maragogi era um pouco maior: 29,7%, quando a população ficou em 28.749 habitantes.

 

 

Esgoto jorra em praia urbana de Maragogi
Turista salta linha de esgoto na praia urbana de Maragogi

Até 2014, a rede coletora de esgoto atendia 23,7% da população de Maragogi, à época com 31.749 habitantes. E esse percentual de cobertura deve estar ainda menor, com o crescimento populacional e a falta de investimentos em saneamento. A estimativa para este ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi 32.568 habitantes. Em 2010, o percentual da população atendida por rede coletora em Maragogi era um pouco maior: 29,7%, quando a população ficou em 28.749 habitantes.


Os dados são do Ministério das Cidades (Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento), revelados por uma ferramenta de pesquisa no site da revista Galileu que, na edição deste mês, produziu reportagem especial sobre saneamento básico no País, onde mais de 40% das cidades brasileiras ainda não possuem rede de esgoto. Os números levam em consideração a população total dos municípios e não apenas a urbana.


Apesar de ser o único município da Costa dos Corais alagoana, à exceção de Maceió, a contar com rede de coleta e de tratamento de esgoto, Maragogi fica atrás de cidades como Tamandaré, no Litoral Sul de Pernambuco. O balneário turístico do vizinho Estado coletava 99,4% do esgoto produzido até 2014 pelos seus 22.323 habitantes. 


Maragogi é vista como uma “terra de oportunidades” e acaba atraindo moradores de cidades da região e até do vizinho Estado de Pernambuco, bem como estrangeiros. Se o município cresce do ponto de vista demográfico, os investimentos em saneamento básico estão estagnados desde 2006, quando entrou em funcionamento o sistema operado pela Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), que custou mais de R$ 11 milhões.


Moradores e turistas reclamam do lançamento de esgoto na praia urbana
Moradores e turistas reclamam do lançamento de efluentes sem tratamento

Isso porque o sistema já entrou em operação defasado. Foi concebido na década de 1990 e só começou a operar no sexto ano do novo milênio, deixando novas e antigas áreas urbanas descobertas, a exemplo do maior conjunto habitacional, o Adélia Lira.


O resultado disso é esgoto sendo lançado sem tratamento no mar do segundo maior polo turístico e hoteleiro de Alagoas. O problema é recorrente e está longe de ser resolvido. Contudo, autoridades municipais e até federais tratam, como prioridade, a construção de um aeroporto regional, numa cidade desprovida de terminal rodoviário.


Não nas nuvens, mas pelo chão, serpenteando na cara de todos, existem, pelo menos, quatro pontos de lançamento desses efluentes sem tratamento na praia urbana da cidade. Na semana passada, moradores da orla marítima e turistas viram e sentiram quando um desses pontos vomitou água escura e fétida na praia de Maragogi, nas proximidades da Praça dos Idosos.


“É uma pena, uma praia tão linda”, lamentou a turista Elisa Carvalho, de Curitiba (PR), que fazia caminhada pela praia urbana de Maragogi.



Sistema inoperante


A cidade possui outro sistema de esgotamento sanitário, instalado na década de 1990 pela prefeitura. Com recursos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), ele nunca funcionou a contento e encontra-se inoperante.


Era da caixa de alvenaria deste antigo sistema que o esgoto escorria, na semana passada, em direção à praia urbana de Maragogi. Apesar de desativado, as galerias continuam a receber esgoto sanitário de residências que ainda não se interligaram à rede coletora da Casal.


Quando a cidade fica repleta de turistas e veranistas, a exemplo do que aconteceu no feriadão de 15 de novembro, as galerias se sobrecarregam e os efluentes sem tratamento sangram.


Projeto

Casal diz que ligações clandestinas em rede de águas pluviais provocou lançamento de esgoto na praia de Maragogi
Casal alega que ligações clandestinas em rede de águas pluviais provocou lançamento de esgoto na praia de Maragogi

A diretoria da Casal apresentou, em maio deste ano, durante o edição do Governo Presente em Maragogi, as soluções para eliminar os pontos de lançamento de esgoto.


A proposta foi a elaboração de um projeto técnico visando a recuperação de parte da rede do antigo sistema e a ampliação do atual, interligando-os.


Contatada, a Companhia informou que o projeto ainda se encontra em processo de elaboração pelo setor de engenharia. Sobre o lançamento de esgoto na praia de Maragogi, ocorrido semana passada, a Casal relatou que o problema aconteceu após a limpeza da galeria de águas pluviais feita pela prefeitura.


De acordo com a Companhia, essas galerias continuam a receber esgoto proveniente de ligações clandestinas. O atual sistema de esgotamento sanitário da Casal atende o distrito de Barra Grande e grande parte da área urbana da cidade de Maragogi. São Bento e Peroba não foram contemplados com as obras concluídas em 2006.


Apesar de atender apenas 23,7% da população com rede coletora, o sistema administrado pela Casal trata 100% do esgoto que recebe, conforme os dados do Ministério das Cidades (Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento).

 

GW

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