Famílias pernambucanas devem ficar em alerta, principalmente com seus entes idosos. Uma quadrilha especializada no chamado golpe do bilhete premiado está atuando na Região Metropolitana do Recife (RMR) e já fez a primeira vítima que se tem notícia esta semana, uma senhora de 74 anos, que, por medo, prefere não se indentificar. Ela foi furtada em cerca de R$ 20 mil depois de ser envolvida pela trama da quadrilha, num crime que pode ser enquadrado como estelionato ou furto qualificado e é praticado principalmente contra pessoas idosas.
O golpe aconteceu no final de manhã de quarta-feira, 23, quando a senhora se dirigia ao ponto de ônibus na Avenida Presidente Kennedy, em Candeias, Jaboatão dos Guararapes. Ela foi abordada por dois integrantes do grupo na Rua Abdo Cabus, no mesmo bairro. A dupla alegava precisar de ajuda para resolver um problema de um deles, que dizia possuir um bilhete da loteria premiado em R$ 600 mil.
De acordo com o boletim de ocorrência, registrado na Delegacia de Piedade, os dois, com a ajuda de um terceiro integrante ao telefone, a convenceram a entregar R$ 17.000, sacados em três agências, na boca do caixa. Ela é correntista do Banco do Brasil de Piedade, onde fez o primeiro saque de R$ 5 mil. Os criminosos também a conduziram à agência do BB da Avenida Conselheiro Aguiar, onde ela efetuou outro saque de R$ 5 mil, e à agência da Barão de Souza Leão, também em Boa Viagem, onde ela sacou mais R$ 7 mil. Todo o dinheiro foi entregue aos bandidos. Eles a convenceram que haviam depositado a mesma quantia em sua conta-corrente.
Ela também entregou um cartão de crédito e senha aos criminosos, que efeturam compras em uma loja O Boticário, de R$ 490, e outra compra em uma loja de roupas masculinas no valor de R$ 1.900. Ela entregou o dinheiro e o cartão com a promessa de receber R$ 20 mil.
"Um se apresentava como advogado, bem educado que queria ajudar o outro senhor que se passava por um homem simples do interior e que estaria desconfiado da nossa ajuda. Eu fiquei tocada com a história desse senhor, que aparentava inocência, inclusive mostrando maços de dinheiro no meio da rua. Me emocionei com a história e me dispus a ajudar", conta a senhora. Um dos homens entregou a ela uma bolsa pequena lacrada dizendo que havia dinheiro nela, como garantia pela troca do cartão de crédito. Após abrir a bolsa, ela verificou que só havia papeis, dobrados como se fossem maços de dinheiro.
INJUSTIÇA
O terceiro criminoso foi contactado pelo celular do homem que se apresentava como advogado. "Ele disse que ligaria para um amigo que trabalha na Caixa Econômica para confirmar se os números do bilhete realmente haviam sido sorteados. A ligação foi feita em viva-voz e eu vi que os números batiam com que o homem dizia", relembra. "Os dois diziam que havia uma pessoa que propôs trocar o bilhete por R$ 20 mil. Achei que era uma injustiça, já que o prêmio era de R$ 600 mil", conta.
Após a mulher entregar o dinheiro e o cartão aos criminosos, eles deram R$ 100 para que ela pudesse pegar um taxi para voltar. "O homem que se apresentava como advogado disse que não poderia me levar porque iria levar o outro à rodoviária. Ele dizia que era do interior."
A senhora prestou queixa na delegacia acompanhada de seu filho e, após o registro, o agente pediu que ela voltasse apenas na segunda-feira para procurar o investigador. Ela não sabe dizer se haverá investigação sobre o caso. A reportagem do JC tentou entrar em contato, sem sucesso, com a delegacia de plantão de Jaboatão na noite desta quinta, 24.
Jc Online