Publicada em 13/12/2016 às 09h46.
Crime contra turista expõe falta segurança na orla de Boa Viagem
Turista cearense foi baleada às 10h quando estava na praia com amigas

A tentativa de assalto que resultou em uma turista cearense baleada, na orla de Boa Viagem, na manhã desta segunda, não é um fato isolado. Segundo comerciantes, moradores e frequentadores da Praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, os assaltos são constantes e falta policiamento, desde antes de a Polícia Militar iniciar a operação-padrão em andamento. A presença da Força Nacional nas ruas, conforme dizem, não está inibindo a ação dos bandidos.

 

Maria Clara Souza Damascena, 22 anos, estava com duas amigas, na altura do Segundo Jardim, próximo a um posto de salvamento dos bombeiros, quando levou um tiro no queixo, por volta das 10h. O comerciante que atendia às jovens (ele prefere não se identificar) conta que ela reagiu ao assalto. 

 

“As outras duas entregaram o celular. Mas ela gritou, jogou o dela no chão e se atracou com o ladrão. Uma outra bateu na mão dele e ainda derrubou o revólver, mas ele o pegou, deu coronhadas e atirou três vezes na menina. Duas balas falharam, ela teve sorte”, relata. “A orla está abandonada, não tem segurança.”

 

A turista, que passa férias no Recife pela primeira vez, foi levada ao Hospital da Restauração de táxi pelas amigas e recebeu alta no início da tarde. “Elas não viram nenhum policial na área, nem o Exército. A bala transfixou o queixo, mas não atingiu nada. Ficou o susto”, comenta um amigo dela que não quis ser identificado.

 

Assaltos

O barraqueiro Rudeval José dos Santos, 34, que há 11 anos tem quiosque na orla, também reclama da falta de segurança. “Mesmo sem os policiais estarem nesse movimento, os assaltos são constantes, principalmente entre 6h e 7h. Eu mesmo tive meu celular roubado com apenas quatro dias de comprado”, informa.

 

O motorista José Alberto dos Santos, 51, frequentador do local, confirma a sensação de insegurança. “Antigamente a gente via uma dupla de PMs a cada 100 metros, mas faz tempo que o policiamento vem sendo reduzido. O bandido também não tem mais medo da polícia. E o Exército a gente vê só passando de vez em quando.”

 

Sem estatísticas

A Secretaria de Defesa Social (SDS) afirma que não divulga dados de violência por bairro. “É fato que em Boa Viagem tem muitos assaltos. Mas não é culpa das polícias e sim de uma série de fatores, como as audiências de custódia, que soltam muita gente que volta a roubar. Na semana passada prendemos dois ladrões responsáveis por uma série de assaltos, eles tinham mandado de prisão e temos outros a cumprir”, declara o delegado titular de Boa Viagem, Carlos Couto.

 

Já a Polícia Militar informa que o patrulhamento do bairro é feito por três guarnições, com apoio de viaturas do Grupo de Apoio Tático Itinerante (Gati). E que, no início da manhã e da noite, o Batalhão de Choque atua na área “com o lançamento de 20 homens por turno”.

 

Desde o dia 9, cerca de 3,5 mil militares do Exército, Marinha e Aeronáutica estão autorizados a realizar patrulhamento ostensivo, revista e prisões em flagrante. A medida foi adotada depois que policiais e bombeiros decidiram realizar uma operação-padrão, exercendo suas atividades somente com a estrutura prevista em lei e abandonar o Programa de Jornada Extra de Segurança (PJES), que representaria 60% do efetivo em atividade.

 

 

Jc Online

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