Publicada em 01/01/2017 às 09h22.
Nos pés do sub-20 na Copinha, Chape retorna aos gramados após tragédia
Com meta de passar da primeira fase, verdão catarinense viaja para participar de sua terceira Copinha.

Enquanto a Chapecoense trabalha intensivamente na reconstrução do grupo para a disputa das competições profissionais, a equipe sub-20 se prepara para a disputa da Copa São Paulo de Futebol Júnior. A delegação viaja neste domingo para Porto Feliz, em São Paulo, cidade-sede do Grupo 14.


treino sub-20 chapecoense (Foto: Chapecoense/Divulgação)Treinamentos iniciaram na metade de dezembro (Foto: Chapecoense/Divulgação)


Será a primeira vez que a Chape entra em campo após o acidente aéreo que deixou 71 vítimas em novembro. O Diretor das categorias de base do Verdão catarinense, Cezar Dal Piva, trata como natural o aumento da pressão em cima dos jovens atletas, mas não crê que o fator não irá interferir no desempenho do time.

- É natural que os holofotes estejam na Chape por ser a primeira competição oficial após o acidente, mas a reação a isso vai depender de cada jogador e do grupo. Estes atleta já disputaram finais de campeonato, então é um grupo experiente, apesar da pouca idade - explica.

A equipe começou a preparação no dia 14 de dezembro e a estreia na competição está marcada para a próxima terça-feira, dia 3, contra o Nova Iguaçu - RJ. A chave da Chape ainda tem Desportivo Brasil - SP e Sampaio Corrêa - MA.

O clube irá disputar a Copa São Paulo pela terceira vez. Nas edições anteriores, o time não passou da primeira fase.

- Eles fazem parte da reconstrução do clube. Então eles têm que ter a frieza para focar no trabalho deles. O Nova Iguaçu e o Desportivo Brasil são clubes formadores e sempre disputam vagas com os grandes de seus estados, mas acredito que temos condições de passar de fase - avalia Emerson Cris, técnico da equipe.


Cesar Dal Piva acompanha treino (Foto: Eduardo Florão)
Cesar Dal Piva (Foto: Eduardo Florão)

O grupo viaja com 20 atletas, a maioria com idade para disputar as próximas edições da Copa São Paulo. É o caso do volante Ronei, de 18 anos. Se as regras da competição não mudarem no próximo ano, o jogador terá a oportunidade de participar da disputa novamente. Ronei já esteve no grupo da Chapecoense que disputou a Copinha em 2016, mas não chegou a entrar em campo.

- É uma responsabilidade a mais por ter os holofotes virados para nós, mas a cabeça está boa. Fizemos acompanhamento psicológico com a psicóloga do clube e estamos preparados para a Copa São Paulo - afirma o jovem atleta. 


Outro atleta que embarca neste domingo para São Paulo é o meia Lima, considerado umas das jóias das categorias de base do clube. O jogador irá disputar sua segunda Copinha. No ano passado o atleta foi titular em uma das partidas e entrou no decorrer de outras duas. Detalhe: Lima ainda tem 17 anos.

- Eu me sinto bem, mesmo com pouca idade tenho objetivos grandes para mim. Quero ajudar o grupo, porque quando o grupo vai bem o individual aparece - revela Lima.

Atletas vão integrar time profissional
O grupo que disputará a Copinha não irá contar com quatro atletas que se irão se apresentar com o elenco profissional no próximo dia 6. Gabriel, lateral direito, Hiago e Guarapuava, zagueiros, e Perotti, atacante. De acordo com Dal Piva, porém, outros atletas devem integrar o grupo profissional quando retornarem da competição.


Time Sub-20 Chapecoense (Foto: Julia Galvão)Atletas da base serão aproveitados na equipe profissional (Foto: Julia Galvão)

 

Acompanhamento psicológico
Muitos atletas das categorias de base tinham os jogadores que morreram no acidente aéreo como referência. As atitudes dos profissionais eram vistas, avaliadas e muitas vezes seguidas pelos jovens jogadores.

Tiepo, goleiro da equipe sub-20, chegou a treinar com o time profissional no ano de 2016.  Ele conta que o bate bola com os goleiros Danilo, Follmann e Nivaldo eram comuns no Centro de Treinamento do clube. A experiência de Anderson Boião, preparador de goleiros morto no acidente, também contribuiu para o jovem arqueiro.


- Foi um baque, não tenho palavras para explicar. A relação entre os goleiros era muito próxima, pois treinávamos em separado - conta Tiepo.

As consequências emocionais para os jovens atletas receberam atenção da Diretoria de Categorias de Base. O grupo passou por atendimento com uma psicóloga e uma assistente social. Os atendimentos aconteceram de maneira individual e também coletiva.

- O aspecto emocional pode influenciar, mas a parte técnica tem que se sobressair. Quando a bola rolar eles vão mostrar que estão preparados - Cezar Dal Piva. Com informações do Globo Esporte.

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