Publicada em 02/01/2017 às 09h12.
Crise política deixa cenário incerto para eleições de 2018
Embora diga publicamente que não será candidato a reeleição, o presidente Michel Temer é tratado por aliados como um potencial candidato.
As delações da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato e a ação contra a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tornam o cenário para a eleição presidencial de 2018 um dos mais imponderáveis desde a redemocratização do Brasil. 

Mas, apesar das incertezas e da crescente rejeição da população à classe política, sentimento evidenciado nas eleições municipais, os partidos já começaram o processo de construção de candidaturas que consideram viáveis - e deflagraram as inevitáveis disputas que antecedem o pleito.

Entre os líderes partidários há o temor de que um nome de fora da classe política surja com força e repita o "efeito Donald Trump". Para especialistas, esse cenário, que foi visto em 2016 em São Paulo, com João Doria (PSDB), e Belo Horizonte, com Alexandre Kalil (PHS), dependerá da economia.

"O cenário atual favorece o surgimento de outsiders, como o apresentador do programa Aprendiz (o empresário Roberto Justus), que se colocou como candidato. Isso é um perigo para o País", disse o consultor Gaudêncio Torquato, um dos mais próximos conselheiros do presidente Michel Temer.

Segundo ele, a Lava Jato pode "sujar a ficha" e contaminar nomes do PSDB, DEM e PMDB. "A crise deixou os potenciais candidatos com o pé atrás. Nesse cenário, a Marina Silva é quem reúne as melhores condições de assepsia política. Ela é uma espécie de Madre Teresa de Calcutá", disse Torquato.

O problema de Marina é a falta de estrutura partidária. Seu partido, a Rede Sustentabilidade, conta com apenas quatro deputados federais, um tempo de TV irrisório, pouco dinheiro do Fundo Partidário e obteve um resultado inexpressivo nas eleições municipais de 2016.

Ele avalia, ainda, que a situação econômica não vai se recuperar até 2018, o que "implodiria" uma eventual reeleição de Temer.

Embora diga publicamente que não será candidato a reeleição, o presidente Michel Temer é tratado por aliados como um potencial candidato em 2018. O projeto depende da recuperação da economia e da disposição do PSDB de apoiá-lo.

Além da ação que corre no TSE, que pode abreviar seu mandato, Temer tem contra si um crescente índice de rejeição e a ameaça de ser implicado na Operação Lava Jato. O presidente foi citado na delação de Claudio Melo Filho, ex-executivo da Odebrecht, que descreveu uma reunião em que o peemedebista teria pedido R$ 10 milhões para a construtora.

Tucanos e petistas - Especialista em pesquisas de intenção de voto, o sociólogo Antonio Lavareda, que atuou em diversas campanhas do PSDB, avaliou que, entre os postulantes que já se apresentaram, o governador tucano Geraldo Alckmin é o que está mais bem posicionado para 2018.

"Ele foi o menos alvejado pela Lava Jato até agora. Além disso, saiu fortalecido da eleição municipal. Está com uma base muito sólida, enquanto (o senador) Aécio (Neves) sofreu uma derrota importante em Belo Horizonte", afirmou.

O governador de São Paulo, no entanto, encontra dificuldades dentro do próprio partido, que ficaram ainda maiores com a recondução de Aécio, seu principal concorrente interno, à presidência nacional da legenda.

Alckmin tem a possibilidade de mudar de partido caso não consiga viabilizar sua candidatura pelo PSDB. A opção é o PSB, sigla do vice-governador de São Paulo, Márcio França. Com informações do Agência Estado.
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