Parentes de policiais e bombeiros militares de Pernambuco fizeram, nesta terça-feira (3), um ato para reivindicar os direitos dos trabalhadores dentro dos batalhões. Após se concentrar na Praça do Derby, no centro do Recife, desde às 14h, o grupo saiu em caminhada rumo ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual, por volta das 16h. De acordo com a organização do evento, 3 mil pessoas participaram da chamada Marcha da Família.
A passeata causou retenções no trânsito na Avenida Carlos de Lima Cavalcanti e, na Avenida Conde da Boa Vista, interrompeu o trafégo no sentido cidade. No trecho, orientadores da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) auxiliaram motoristas e motociclistas. Por volta das 17h30, quando o grupo chegou à Ponte Duarte Coelho, motoristas de ônibus desligaram os motores e passageiros desceram dos coletivos devido ao protesto.
Ato interrompeu o tráfego na Avenida Conde da Boa Vista, no sentido cidade (Foto: Marina Meireles/G1)Por volta das 18h, uma comissão formada por quatro mulheres e um advogado foi recebida pelo chefe da Casa Militar, Eduardo Pereira, para uma reunião. O grupo levou um abaixo-assinado para representar as reivindicações dos parentes dos policiais e bombeiros militares do estado.
De acordo com uma das organizadoras do ato, Jane Leite, o ato é uma forma de protestar contra abusos que acontecem na Polícia Militar. "Os policiais são, muitas vezes, humilhados durante o trabalho e chegam em casa com essa carga de nervosismo. Essa violência que acontece nos quartéis gera mais violência ainda no ambiente doméstico", reclama.
Ainda segundo Jane Leite, a realocação de alguns dos profissionais da PM para batalhões em outras cidades também é um dos motivos da manifestação. "Isso desestrutura totalmente a família", afirma. A representante do grupo ainda fez queixas sobre o uso de munições e coletes vencidos pelos militares.
Participantes do ato se concentraram na Praça do Derby, no Centro do Recife (Foto: Marina Meireles/G1)Durante a caminhada, algumas das mulheres citaram casos de violência contra os maridos, pais e demais familiares que participam das tropas. "Muitos dos nossos filhos ficam órfãos e muitas de nós ficamos viúvas, e o governo não pensa nesses trabalhadores", frisou uma das integrantes da caminhada. O grupo também criticou o governador Paulo Câmara e pediu a saída do governo estadual.
Presente no ato, o presidente da Associação Pernambucana de Cabos e Soldados Militares (ACS-PE), Albérisson Carlos, reforçou a manutenção da Operação Padrão, deflagrada desde 7 de dezembro. "O governo está intransigente nas negociações. Amanhã vai acontecer uma reunião com os comandos, mas nenhuma das associações foi convocada para esse encontro", reclamou.
Segundo a organização do ato, 3 mil pessoas participam da Marcha da Família (Foto: Marina Meireles/G1)
Por meio de nota, a Polícia Militar informou que as movimentações são uma prática natural, não necessariamente dirigida às associações de policiais como forma de retaliação. Ainda de acordo com a PM, as trocas são comuns para promover "oxigenação" na tropa e, somente nesta terça (3), 21 comandantes de batalhões foram realocados com essa finalidade.
Em relação à reunião com o Governo na quarta-feira (4), os comandantes da PM e do Corpo de Bombeiros, os coronéis Carlos D'Albuquerque e Manoel Cunha, respectivamente, devem apresentar propostas que envolvem reajuste salarial e melhoria das condições de trabalho dos policiais militares e bombeiros. O Governo, no entanto, não informou o horário do encontro.
Com informações do G1.