
Dell/Reprodução
Após pelo menos cinco anos com queda nas vendas, o mercado de computadores pessoais voltou a inovar neste início de 2017. Durante a CES 2017, feira de tecnologia que se encerra neste domingo (8), em Las Vegas, não foram poucas as fabricantes que apresentaram novidades em suas linhas de computadores de mesa e notebooks.
É uma preocupação corrente na indústria de PCs: depois de começar a década com um pico histórico de vendas, o setor perdeu 27% de seu mercado de 2011 para cá - ou quase 100 milhões de aparelhos em termos absolutos, se as estimativas da IDC para o cenário global de 2016 se confirmarem.
Não há um apenas um culpado para tamanha queda. A popularização dos smartphones "canibalizou" a tecnologia, depois que muitos usuários deixaram os PCs para navegar no celular. Sem demanda, os fabricantes passaram a dar mais atenção para o mundo móvel e a inovação em PCs estagnou. Esses fatores aumentaram o intervalo de troca das máquinas. "Antes, as pessoas ficavam com o mesmo PC por até quatro anos. Agora, ficam por cinco, até sete anos", diz Luciano Beraldo, especialista em notebooks da Samsung.
O primeiro sinal de que uma reação estava a caminho foi dado pela Microsoft, em outubro de 2016, com três novos modelos de computadores pessoais da linha Surface.
Durante a CES 2017, a Dell foi uma das fabricantes que trouxeram mais surpresas. O Canvas, por exemplo, traz uma tela sensível ao toque de 27 polegadas no lugar do teclado físico tradicional. Ela pode ser usada como prancheta por profissionais de design. Caso o teclado seja necessário, basta ativar o virtual - como nos smartphones. A HP lançou outro computador inovador: o "tudo em um" Sprout Pro inclui um sensor de movimentos 3D e um mini projetor.
Os aparelhos conversíveis - nos quais o teclado pode ser dobrado, transformando o aparelho em um tablet - também foram destaque na CES. Nessa seara, a Dell faz o notebook XPS 13 quase virar do avesso. Os computadores mais básicos também ganharam designs mais refinados e materiais mais resistentes - como metal no lugar de plástico. Além disso, empresas como Samsung e Lenovo lançaram suas fichas no mercado de notebooks para games. Vale dizer que, apesar das inovações, muitos desses aparelhos chegarão ao mercado com preço alto. No entanto, o que se viu nos últimos dias em Las Vegas mostra que o mercado ainda está longe de morrer. "O PC tinha perdido o glamour", avalia Sakis. "Mas ainda não há um dispositivo tão bom para produzir conteúdo."
O Estado de S. Paulo