
Polícia apresenta indiciamento em coletiva
Quase um ano após duas pessoas morrerem afogadas na piscina do Recife Monte Hotel, localizado em Boa Viagem, Zona Sul da capital, a Polícia Civil indiciou o diretor presidente da rede de hotelaria e o gerente do estabelecimento por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar. De acordo com as investigações, os dois foram negligentes com relação a normas de segurança do equipamento de lazer. Eles responderão em liberdade.
As mortes ocorreram em março de 2016. Os detalhes da conclusão do inquérito foram divulgados, nesta quinta-feira (12), durante coletiva de imprensa. Segundo o inquérito, um declive brusco na piscina, de 1,5 metro para 2,6 metros, foi a principal causa para os dois óbitos.
Pela norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o desnível máximo permitido em piscinas com profundidade de até 1,8 metro não pode passar de 33%. No local das mortes, o declive é de 81%.
O hotel, conforme a Polícia Civil de Pernambuco, também não cumpria as normas de segurança exigidas. Não havia, por exemplo, placas indicando a mudança de profundidade, guarda-vidas e materiais de primeiros socorros, além de medicamentos para reanimação, como adrenalina.
Ao todo, segundo o perito Sérgio Almeida, o hotel descumpriu duas leis estaduais, seis normas técnicas, três leis municipais e um decreto. Desobedecendo mais uma norma, o hotel teria que colocar uma rede de proteção ao desativar a área da piscina.
"Ele [hotel] deveria ter posto rede ou gradil de proteção para que ninguém pudesse adentrar na piscina. Todas as falhas tiveram sua parcela de culpa nas mortes", explicou o perito, ao pedir uma fiscalização mais severa em ambientes com piscina coletiva.
"Toda a empresa tem seu dever de diligência e de observar a sua função social. Nesse caso, houve omissão e negligência. Houve problema de gestão e de investimento financeiro, já que uma efetiva reforma da piscina dependia da deliberação de recursos pela diretoria. Havia a previsibilidade de que poderia ocorrer um acidente ou morte, vez que não houve cumprimento das normas", pontuou o delegado Carlos Couto.
Casos
No dia 6 de março de 2016, o turista paulista Bruno Guilherme Ribeiro, de 22 anos, morreu afogado na piscina do hotel. A polícia acredita que o óbito tenha ocorrido entre às 17h40 e 18h40, quando o corpo foi encontrado.
Durante as investigações, foi constatado que ele não sabia nadar. Uma prima teria conversado com a vítima horas antes da morte e pedido cuidado por estar sozinho no local.
Pouco tempo depois, no dia 23, a funcionária da prefeitura do Recife Anne Trindade Brasil, 31 anos, foi achada quase sem vida, por hóspedes, às 18h30. Um médico, que estava no local, tentou reanimá-la, mas a vítima não resistiu e morreu na área da piscina. Ambas as mortes ocorreram em um horário que a piscina já deveria estar desativada. A polícia realizou, ao todo, cinco perícias no lugar.
"A piscina hoje deveria estar interditada. Órgãos fiscalizadores como prefeitura, o Crea, a Vigilância Sanitária e Corpo de Bombeiros deveriam ter determinado esse procedimento. Ao enviar esse inquérito para a Justiça, a polícia civil instruirá esse processo é, com certeza, haverá a interdição", completou o diretor de Polícias Metropolitanas, Joselito Kehler.
G1