Publicada em 12/01/2017 às 17h03.
Gestores de hotel são indiciados por homicídio após mortes em piscina
Segundo inquérito, houve negligência com relação a normas de segurança do equipamento de lazer do estabelecimento, na Zona Sul do Recife.

Polícia apresenta indiciamento em coletiva


Quase um ano após duas pessoas morrerem afogadas na piscina do Recife Monte Hotel, localizado em Boa Viagem, Zona Sul da capital, a Polícia Civil indiciou o diretor presidente da rede de hotelaria e o gerente do estabelecimento por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar. De acordo com as investigações, os dois foram negligentes com relação a normas de segurança do equipamento de lazer. Eles responderão em liberdade. 


As mortes ocorreram em março de 2016. Os detalhes da conclusão do inquérito foram divulgados, nesta quinta-feira (12), durante coletiva de imprensa. Segundo o inquérito, um declive brusco na piscina, de 1,5 metro para 2,6 metros, foi a principal causa para os dois óbitos.


Pela norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o desnível máximo permitido em piscinas com profundidade de até 1,8 metro não pode passar de 33%. No local das mortes, o declive é de 81%.


O hotel, conforme a Polícia Civil de Pernambuco, também não cumpria as normas de segurança exigidas. Não havia, por exemplo, placas indicando a mudança de profundidade, guarda-vidas e materiais de primeiros socorros, além de medicamentos para reanimação, como adrenalina.


Ao todo, segundo o perito Sérgio Almeida, o hotel descumpriu duas leis estaduais, seis normas técnicas, três leis municipais e um decreto. Desobedecendo mais uma norma, o hotel teria que colocar uma rede de proteção ao desativar a área da piscina.


"Ele [hotel] deveria ter posto rede ou gradil de proteção para que ninguém pudesse adentrar na piscina. Todas as falhas tiveram sua parcela de culpa nas mortes", explicou o perito, ao pedir uma fiscalização mais severa em ambientes com piscina coletiva.


"Toda a empresa tem seu dever de diligência e de observar a sua função social. Nesse caso, houve omissão e negligência. Houve problema de gestão e de investimento financeiro, já que uma efetiva reforma da piscina dependia da deliberação de recursos pela diretoria. Havia a previsibilidade de que poderia ocorrer um acidente ou morte, vez que não houve cumprimento das normas", pontuou o delegado Carlos Couto.


Casos
No dia 6 de março de 2016, o turista paulista Bruno Guilherme Ribeiro, de 22 anos, morreu afogado na piscina do hotel. A polícia acredita que o óbito tenha ocorrido entre às 17h40 e 18h40, quando o corpo foi encontrado.


Durante as investigações, foi constatado que ele não sabia nadar. Uma prima teria conversado com a vítima horas antes da morte e pedido cuidado por estar sozinho no local.


Pouco tempo depois, no dia 23, a funcionária da prefeitura do Recife Anne Trindade Brasil, 31 anos, foi achada quase sem vida, por hóspedes, às 18h30. Um médico, que estava no local, tentou reanimá-la, mas a vítima não resistiu e morreu na área da piscina. Ambas as mortes ocorreram em um horário que a piscina já deveria estar desativada. A polícia realizou, ao todo, cinco perícias no lugar.


"A piscina hoje deveria estar interditada. Órgãos fiscalizadores como prefeitura, o Crea, a Vigilância Sanitária e Corpo de Bombeiros deveriam ter determinado esse procedimento. Ao enviar esse inquérito para a Justiça, a polícia civil instruirá esse processo é, com certeza, haverá a interdição", completou o diretor de Polícias Metropolitanas, Joselito Kehler.

 

G1

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