Publicada em 11/02/2017 às 11h59.
Incra cede área para construção do Centro de Reabilitação ao Dependente Químico em Maragogi
O projeto foi desenvolvido por uma organização não-governamental (ONG) e terá o apoio dos governos municipal e federal.


O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) vai doar um terreno de três hectares no assentamento Massangana, em Maragogi, onde será construído o Centro de Reabilitação e Reinserção ao Dependente Químico. O projeto foi desenvolvido por uma organização não-governamental (ONG) e terá o apoio dos governos municipal e federal.


O projeto foi apresentado, no auditório do hotel Praia Dourada, pelo pastor evangélico da Assembleia de Deus de Maragogi, Ednilson Barbosa, ao superintendente regional do Incra, Alberto Pesado, integrantes do Movimento Via do Trabalho (MVT) e assentados da reforma agrária.


“O dependente químico vai passar 12 meses nesse Centro. Serão seis etapas até ele sair de lá recuperado e com uma qualificação profissional, pronto para o mercado de trabalho. A droga é um problema sério, hoje em dia, também no campo”, afirmou Pesado.


O Incra vai ceder a área no assentamento Massangana, onde o prédio será erguido. As obras devem começar até o próximo mês, informou o pastor, um dos idealizadores do Centro, juntamente com o filho dele, o vereador Eliseo Ibanez (PROS), o “Pipo”, que tomou posse em janeiro.


“Nós tivemos muitos jovens cujas vidas foram ceifadas e quando a gente busca informações, constata que foram justamente fruto do problema das drogas. Vamos focar mais no tratamento dos afetados pelas drogas ilícitas. Claro e evidente que haverá espaço para o tratamento daqueles atingidos pelas lícitas, como o caso do álcool”, explicou o pastor, acrescentando que a ideia é expandir a atuação do Centro a dependentes químicos de outros municípios da região Norte, mas num segundo momento.


De acordo com ele, inicialmente, o Centro terá capacidade para atender 60 pessoas do município de Maragogi e funcionará dividido em seis células ou módulos. Além da reabilitação, o projeto propõe a reinserção social e profissional do assistido.


“Ele passa, nessa primeira célula, por um processo de desintoxicação, com acompanhamento médico e toda uma conscientização. Terminado a fase de desintoxicação, vai para uma segunda célula até a sexta, quando estará pronto para ser reintegrado à sociedade. Haverá capacitação para serralheiro, carpinteiro, conhecimento técnico em agricultura. O cidadão sairá do centro, além de recuperado, com uma perspectiva de trabalho”, explicou.


Segundo o pastor, a ONG fará a captação dos recursos e contará com o apoio das secretarias municipais de Assistência Social e Agricultura, além do Incra. “Vamos buscar a parceria do governo do Estado de Alagoas”, afirmou Barbosa.


Saúde pública

A vice-presidente da Associação Dandarart, Laudicéia Maria da Silva, aprovou o projeto. Ela lembrou que as drogas, lícitas e ilícitas, se constituem num sério problema social e de saúde pública, que afetam não somente o meio urbano, como também o rural.


“Além do tratamento, a proposta é de uma ação preventiva. Isso é muito importante porque nossos assentamentos fazem divisa com cidades de Pernambuco, onde a violência está fora de controle por causa das drogas, a exemplo de Barreiros e São José da Coroa Grande”, destacou ela.


“Conversando com meu pai, observamos que vários jovens de nosso município estão envolvidos com as drogas e, inclusive, acompanhando as notícias, notamos que muitos dos homicídios estão relacionados com esse problema. Por isso, nasceu em meu coração a vontade de querer resolver, ou pelo menos em parte, essa questão”, afirmou Pipo.

 

GW

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