
A equipe de fiscalização do Procon de Pernambuco, que está percorrendo as agências bancárias que foram alvos de ações crimosas nos últimos meses, atua em Porto de Galinhas, no Litoral Sul, nesta terça-feira (14). No balneário, a agência do Banco do Brasil segue fechada, onze dias depois da ação dos bandidos.
O Banco do Brasil informou, por meio de nota, que "estuda a viabilidade de abertura de unidade provisória em instalações físicas disponibilizadas pela Prefeitura do Ipojuca". Os caixas da agência de Porto de Galinhas foram explodidos e, em seguida, os bandidos atearam fogo ao local. O incêndio acabou atingindo uma galeria que funcionava ao lado do banco.
O secretário de Justiça, Pedro Eurico, explicou o banco já foi notificado para voltar a atender a população. "A alternativa que está sendo oferecida aqui é ir para Ipojuca, na sede, ou para o Cabo. São 30 quilômetros de distância. A pessoa que paga suas contas bancárias, a pessoa que usa o cartão de aposentado, pensionista, da Bolsa Família, essas pessoas são as mais vulneráveis, têm que se deslocar quilômetros e são também expostos à violência", apontou.
O Procon também vai analisar como está o atendimento da população nas agências que estão funcionando, para observar se o tempo de espera na fila está sendo respeitando, segundo o gerente de fiscalização da entidade, Roberto Campos.
"Vamos redobrar a fiscalização, inclusive naquelas agências que estão funcionando, porque vai haver uma sobrecarga. A gente tem inúmeras atutuações por tempo de espera em fila e agora a situação tende a se agravar. Infelizmente, não vemos vontade de resolver o problema", afirmou Campos.
O prazo para a reabertura das agências expirou no domingo (12). As fiscalizações começaram na segunda-feira (13), quando foram visitadas as unidades do Banco do Brasil das cidades de Amaraji, na Zona da Mata Sul, e Goiana, na Zona da Mata Norte. De acordo com o Procon, as unidades, que foram explodidas, funcionam de forma precária.
Quatro equipes de fiscalização do Procon estão atuando nas vistorias. Lotéricas e agências dos Correios também estão sendo fiscalizadas, a fim de constatar a transferência ou não dos serviços e a qualidade com que vêm sendo prestados à população. Em caso de desobediência, os bancos podem ser multados.
"As multas podem ir de R$ 100 mil até R$ 7,5 milhões. O governo não vai tolerar essas agências fechadas. Estamos vendo os prejuízos causados às pequenas comunidades. Há cidades em que a atividade comercial caiu mais de 50%. Não é só o fechamento da agência, é o prejuízo para a comunidade como um todo", explicou o secretário.
A Caixa Econômica Federal, também alvo da ação dos criminosos, informou que a agência de Porto de Galinhas "está funcionando normalmente. A Caixa também está providenciando a regularização das ocorrências apontadas pelo Procon nos municípios de Buíque e Bonito para restabelecimento do atendimento em suas Agências até a próxima segunda-feira, em conformidade com a legislação".
Um levantamento feito pelo Sindicato dos Bancários, divulgado no iníco deste ano, revelou que 30,4% dos municípios pernambucanos sofreram algum tipo de investida criminosa em 2016.
O Governo do Estado, por meio do Procon, instituiu, na terça-feira (7), uma medida cautelar contra os bancos que foram alvos de criminosos e ainda não apresentaram celeridade na reabertura das agências e postos danificados em Pernambuco. Todas as instituições financeiras foram chamadas para uma audiência que será realizada nesta sexta-feira (17), na sede do Procon.
Na ocasião, os bancos terão que apresentar "medidas preventivas para manutenção da ordem e segurança das agências bancárias; documentos que comprovem o atendimento de segurança com as especificações estabelecidas pela Polícia Federal; cronograma de investimentos em monitoramento e segurança privada das agências, com destaque para horários de incidências das ações criminosas (período noturno e vespertino); implementação das tecnologias necessárias a dificultarem as ações criminosas, tais como: inutilização de cédulas, alarmes de segurança, blindagem; e relação das agências danificadas, com previsão de reabertura".
G1