Publicada em 14/02/2017 às 16h26.
Senado aprova em primeiro turno PEC que viabiliza prática da vaquejada
PEC estabelece que 'não são cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam manifestações culturais'.


O plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (14), em primeiro turno, por 55 votos a 8 (e 3 abstenções), uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que viabiliza a prática da vaquejada - entenda mais abaixo a polêmica em torno do assunto.


A PEC estabelece que "não são cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam manifestações culturais".


Com a aprovação do projeto em primeiro turno, o texto agora deverá ser analisado em segundo turno para, então, seguir para votação na Câmara, onde também deverá ser discutido em dois turnos.


Por se tratar de uma emenda à Constituição, a PEC precisa ter o apoio de, pelo menos, três quintos dos parlamentares (49 senadores e 308 deputados).


 

Entenda a polêmica

 

Em outrubo do ano passado, o STF derrubou uma lei do Ceará que regulamentava esse tipo de prática por entender que a atividade impõe sofrimento aos animais e fere os princípios constitucionais de preservação do meio ambiente.


Na vaquejada, um boi é solto em uma pista e dois vaqueiros, montados em cavalos, tentam derrubar o animal pelo rabo.


Diante da decisão do Supremo, o Congresso aprovou, um mês depois, uma lei que tornou a vaquejada manifestação cultural nacional e patrimônio cultural imaterial. Ainda em novembro de 2016, o presidente Michel Temer sancionou a lei.


Portanto, se o Senado e a Câmara aprovarem a PEC, a levando à promulgação, a vaquejada e o rodeio estarão assegurados pela Constituição.


 

Os argumentos

 

Os defensores da PEC aprovada em primeiro turno nesta terça, entre os quais o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), argumentam que a prática faz parte da cultura nordestina e movimenta R$ 600 milhões por ano, além de gerar 120 mil empregos diretos.


"No caso do rodeio e da vaquejada, manifesta-se a cultura do local, por meio das habilidades demonstradas pelo peão, das vestimentas utilizadas, da narração do evento, da música, das comidas e bebidas típicas e busca-se, cada vez mais, preservar a integridade dos animais", defendeu o relator da proposta, José Maranhão (PMDB-PB).


"Precisamos derrubar algo que é muito pior do que derrubar um boi. Precisamos derrubar o preconceito contra a cultura nordestina", acrescentou Roberto Muniz (PP-BA).


Por outro lado, senadores contrários ao texto, como a líder do PT, Gleisi Hoffmann (PR), dizem que a vaquejada é cruel aos animais.


"Se aprovarmos essa proposta, a Constituição vai dizer que manifestações culturais não causam dor aos animais, ainda que causem [...] Não é verdade que a vaquejada não causa nenhum prejuízo ao animal, causa problema de medula, nas articulações, arrancamento de rabo", disse a senadora. "Por que temos que nos divertir com a dor dos animais?", completou.


"É preciso distinguir o que é manifestação cultural e o que é prática reiterada de maus tratos a animais", declarou Randolfe Rodrigues (Rede-AP), contrário à proposta.


O texto aprovado em primeiro turno nesta terça também diz que as manifestações culturais envolvendo animais "devem ser regulamentadas em lei específica que assegure o bem-estar dos animais envolvidos".

 

 

G1

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