Publicada em 10/06/2017 às 07h56.
O bocejo pode não ser contagioso; entenda
A ideia de que o bocejo é contagioso é mais antiga do que pode pensar, mas não é verdadeira.

© DR

 

É certo que já bocejou depois de ver alguém o fazer, mas é também certo que também já viu alguém bocejar e nada aconteceu. Então, se nem sempre bocejamos quando alguém o faz porque dizemos que é o bocejo é 'contagioso'?


A questão foi colocada por dois cientistas da Universidade de Oxford (Reino Unido) e pela Universidade de Queensland (Austrália) que, pela primeira vez, tentaram encontrar um lado científico nesta teoria.


A ideia que o bocejo é contagioso é mais antiga do que podemos imaginar. Segundo o site Mental Floss, acreditar que bocejamos porque vemos outra pessoa é uma ideia com mais de dois mil anos, mas que, até agora, carecia de base científica, ou seja, de uma prova concreta sobre a sua veracidade.


A teoria cai por terra agora que a ciência põe o dedo no tema. Afinal, dizem os investigadores, copiar o bocejo de outra pessoa é, "no máximo, um ato trivial".


Depois de terem notado que toda a revisão científica sobre o tema carecia, na verdade, de ciência e fatos, os investigadores decidiram dar um passo em frente e analisar simulações feitas por computador e ainda modelos científicos anteriormente testados. Posto isto, desafiaram 79 estudantes a se sentarem em torno de uma mesa enquanto ouviam (através de fones) a música 'Complete Nocturnes' de Chopin. Alguns desses estudantes estavam de olhos vendados.


Em média, os participantes produziam dois terços de um bocejo por hora, sendo que o bocejo aumentava com o passar do tempo e tinham tendência a serem mais frequentes à medida que iam vendo uns aos outros. Nesta fase do estudo, tudo indicava que o bocejo era, afinal, contagioso, contudo, para que tal se comprovasse era necessário ter em conta um outro aspecto: o timing.


Assim que analisaram o momento em que cada pessoa bocejava, os cientistas notaram que o bocejo não deu origem a outro num espaço de três minutos desde o primeiro. Ou seja, sempre que um dos participantes da mesa bocejava, os outros não o faziam no espaço de três minutos, o que leva os cientistas a crer que, afinal, o bocejo não é tão contagioso quanto pensamos.


O estudo foi publicado na revista Adaptative Human Behavior and Physiology, mas os próprios investigadores defendem a necessidade de aprofundar o tema e de recorrer a um número maior de voluntários e a cenários diferentes.

 

 

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