
(Imagem: Márcio Roger/ Portal Nova Mais)
Os dois réus acusados de envolvimento no duplo homicídio ocorrido em Palmares, em 31 de julho de 1995, contra o casal Ana Karla Vaz e Nilo Teixeira, foram condenados a 27 e 30 anos de prisão, respectivamente, em sentença transitada em julgado na noite de segunda-feira (12/06), na Vara Criminal da Comarca de Palmares. O crime ficou conhecido como “Caso Forrómares”, por ter ocorrido na época da tradicional festa da cidade.
Durante julgamento que durou várias horas, a juíza Dra. Hydia de Landim Farias, da Vara Criminal de Palmares e presidente do Tribunal do Júri, após ouvir promotores, advogados das partes envolvidas e testemunhas de defesa e de acusação, condenou os réus Fábio Luis Duarte Alves de Souza e Mário Miguel de Souza, por duplo homicídio doloso por motivo torpe.
Fábio foi condenado a 30 anos de prisão em regime fechado. A pena deverá ser cumprida no Presídio Aníbal Bruno, em Recife. O condenado, entretanto, é considerado foragido da Justiça há 20 anos, tendo ficado preso apenas por 25 dias no inicio das investigações. Em virtude dessa circunstância, a juíza determinou a manutenção do mandado de prisão preventiva, alegando necessidade de manutenção da ordem pública:
- “Com relação ao Fábio continuam presentes os requisitos de prisão preventiva, estando o mesmo foragido e com condenação transitada em julgado, servindo a sua prisão para a garantia da ordem pública e aplicação da lei penal”, diz o teor da sentença.
Quanto ao réu Mário Miguel de Souza, acusado de ser o executor do crime, o júri decidiu por uma pena de 27 anos de prisão, também por duplo homicídio com motivo torpe. Ele deve cumprir a pena em regime fechado no Presídio de Vitória de Santo Antão, local onde o condenado já estava cumprindo a reclusão. Sobre essa decisão, no entanto, a sentença destaca que a condenação não interfere em outros crimes cometidos pelo réu:
- “Deixo todavia, de proceder com detração, vez que o acusado esteve preso simultaneamente por outros feitos, devendo tal providência ser realizada pelo juízo das execuções, quando da unificação das penas a fim de se evitar bis in idem”, declarou.
TESTEMUNHO DO RÉU

(Imagem: Márcio Roger/ Portal Nova Mais)
Durante o seu depoimento, Mário Miguel negou participação no assassinato do casal e afirmou que havia emprestado a arma para o irmão de Fábio, identificado como “Fred”. Ele contou também que só teria tomado conhecimento do caso dez dias após o ocorrido, através do relato do outro.
Uma das informações mais chocantes, entretanto, diz respeito ao suposto estupro que Ana Karla teria sofrido antes de ser assassinada. De acordo com o réu, Fred, Fábio e um homem chamado Júnior Magrão teriam abusado sexualmente da vítima e, em seguida, Fábio teria sacado um revólver e assassinado a moça. Depois de matar Ana Karla, Fred teria matado Nilo também com um disparo.
Mário relatou também ao júri que a cena do crime foi forjada, pois, na verdade, os dois teriam sido mortos fora do veículo, e não dentro dele, como mostram as fotos do local dos assassinatos. A ideia inicial, segundo ele, seria levar o corpo de Ana Karla para Campestre, na Mata Norte alagoana, com a ajuda de um taxista, que receberia R$ 1.000,00 (mil reais) para também jogar o corpo de Nilo em um açude. Por se tratarem de dois cadáveres, no entanto, o taxista teria desistido do negócio. Por isso, os corpos teriam sido colocados dentro do carro, e os vidros propositadamente estilhaçados, para confundir as investigações.
Questionado do por que teria escondido essas informações por mais de 20 anos, Mário Miguel afirmou que se calou por conta das ameaças de morte à sua mãe e também por já ter sido vítima de uma tentativa de queima de arquivo, quando tentaram matá-lo com uma arma calibre 12.
O crime é considerado transitado em julgado. O esforço da polícia agora se concentrará na caputura do Fábio Luis para cumprimento da pena. O julgamento põe um ponto final em uma história de mais de duas décadas de sofrimento e busca por justiça de familiares e amigos das vítimas.

(Imagem: Whatsapp da Redação/ Portal Nova Mais)
ENTREVISTA COM A MÃE DE UMA DAS VÍTIMAS