
Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco
Após a morte de dois homens em três dias, moradores da Comunidade do Bode, no Pina, na Zona Sul do Recife, realizaram um protesto no início da noite desta quinta-feira (22). Com faixas e pedindo justiça, os manifestantes saíram em cortejo pela rua Herculano Bandeira, no mesmo bairro, contra a violência nas ações policiais.
A manifestação seria na avenida Domingos Ferreira, mas a PM chegou com um caminhão para recolher o material que seria utilizado na interrupção do trânsito. Os sofás e pneus apreendidos encheram a carroceria do veículo.
Emocionada, a esposa de Ramon, Margarida, 30 anos, compareceu ao ato e endossou o coro pedindo por justiça. Segundo ela, seu marido era trabalhador e não estava armado no momento da abordagem. Ele teria sido confundido com outra pessoa e por isso a polícia atirou nele. O entanto, a esposa alega que os policiais demoraram a socorrê-lo e teriam agredido a vítima na forma como o colocaram na viatura. “Eu vi meu marido agonizando. Ele saiu daqui com vida.”
Margarida conta que Ramon saiu da comunidade na viatura, e que a sirene estava desligada. Ela teria tomado um ônibus para o Hospital da Restauração, no bairro do Derby, e chegou ao mesmo tempo que a viatura, que saiu de lá muito antes dela. “Meu marido já chegou lá em óbito. Eles têm que admitir o que fizeram.”
Ela ainda afirma que as abordagens policiais no local sempre são violentas. “A gente não pode ficar na rua, que é abordado como bicho, como bandido. Ninguém aqui é bandido, não. A gente só mora aqui porque não tem condição de morar em um canto melhor.”
Entenda o caso
A Polícia Militar começou uma "caça as bruxas" na Comunidade do Bode após receber informações de que suspeitos de atirar em dois PM's, no último dia 14, estariam escondidos no local.
Na noite da quinta-feira (15), Esdras Henrique Silva Teles, de 19 anos, que foi apontado como um dos suspeitos, foi morto durante troca de tiros. Na manhã de sábado (17), a vítima foi Ramon Gonçalves Cavalcanti, 30 anos, que foi alvejado pelos policiais. Segundo a PM, eles foram recebidos a bala e teriam se defendido. Segundo a família de Ramon, ele era ex-presidiário, mas tinha cumprido sua pena e estava trabalhando para manter a família. Ele deixou uma esposa e dois filhos.
Folha PE