
Foto: Divlgação/Arte
Seguindo os resultados das últimas pesquisas de intenção de voto para 2018, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) também lideram a disputa quando o assunto é trending topics.
De acordo com dados do Google Trends, ferramenta que indica tendências a partir das buscas no Google, os dois políticos estão na ‘busca do povo’, por assim dizer, ao longo de todo este ano.
Entretanto, seguindo a teoria do “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”, os possíveis candidatos à Presidência nem sempre são procurados por assuntos positivos. Entre os momentos em que Lula mais ‘bombou’, por exemplo, está o dia de sua condenação na Lava Jato a 9 anos e 6 meses de prisão no caso do triplex. Já Bolsonaro teve seu nome viralizado quando o STJ (Superior Tribunal de Justiça confirmou sua condenação e aplicação de multa de R$ 10 mil por ofensas à deputada Maria do Rosário.
O Google Trends não registra um número bruto, mas sim uma escala, com 100 sendo o ápice da pesquisa. A partir daí, a reportagem fez um levantamento de 1º de janeiro até o último dia 24 de outubro para entender melhor em que circunstâncias seis possíveis presidenciáveis estiveram entre os termos mais buscados. São eles: Lula, Bolsonaro, Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin ou João Doria, ambos do PSDB, e Ciro Gomes (PDT).
Os dados mostram que Lula foi o mais buscado no Google neste ano, seguido por Jair Bolsonaro e Ciro Gomes. Marina e Alckmin aparecem quase iguais, numa linha reta, mas sem elevação na pesquisa.
Podemos perceber que Lula teve seu ápice entre 7 e 13 de maio, período em que o petista ficou pela primeira vez cara a cara com o juiz federal Sérgio Moro para prestar depoimento no âmbito da Lava Jato. O assunto tomou contas das páginas dos jornais e dominou as buscas do Google por dias.
Logo depois, entre 21 e 27 de maio, foi a vez de Bolsonaro ter seu ápice. Durante debate na rádio Jovem Pan, o deputado afirmou que, em 2014, o PP, seu então partido, recebeu dinheiro ilegal da JBS. “O partido recebeu propina sim, mas qual partido não recebe propina?”, disse. Ele foi questionado sobre uma doação de R$ 200 mil do grupo JBS durante sua campanha em 2014. “Em 2014, ninguém falava em propina ilegal”, afirmou. A declaração gerou polêmica e críticos e militantes do paulista se digladiaram por toda a semana nas redes sociais.
Ainda em maio, Ciro Gomes viu seu nome subir levemente nos trendings por dois assuntos. Ele afirmou à BBC que a candidatura de Lula é desserviço ao Brasil e foi condenado a indenizar o presidente Michel Temer em R$ 30 mil por chamá-lo de “ladrão fisiológico” em palestra na Universidade da Pensilvânia.
Ao trocarmos o nome de Geraldo Alckmin por João Doria, vemos que o prefeito de São Paulo realmente é mais popular no mundo digital. Doria chegou, inclusive, a ultrapassar Bolsonaro e Lula em abril. Na época, ele entrou em uma polêmica virtual com a gigante de tecnologia Amazon, que havia feito uma propaganda ironizando os muros pintados de cinza na cidade. Após uma troca de farpas e desafio do prefeito, a companhia decidiu fazer doações de livros de graça na internet.
O Trends também dá a divisão geográfica da pesquisa e nos mostra quais são os locais onde são mais altas as buscas pelos políticos no País. O valor é proporcional e não absoluto.
Em Pernambuco, o nome de Lula tem maior proporção de busca em Santa Cruz do Capibaribe e Garanhuns, terra natal do petista. Bolsonaro aparece com maior proporção de buscas em Caruaru, no Agreste, e em Jaboatão dos Guararapes no Grande Recife. Doria e Ciro Gomes ficam nos trendings apenas no Recife. Já Marina e Alckmin não possuem dados suficientes de busca no Google para que seja feito um ranking.
Outro dado que o Google Trends aponta são as buscas relacionadas. Os usuários pesquisando por Lula, por exemplo, buscam por “Lula Moro” ou “Lula preso”. Marina é buscada, entre outros termos, por “Marina Silva Odebrechet” ou “Marina Silva 2018”.
Confira como são as consultas relacionadas aos políticos no Google:

A reportagem também verificou a situação dos possíveis candidatos a governador de Pernambuco em 2018. Com a pesquisa mais local, o Google Trends tem menos dados para que seja feito o levantamento, mas é possível saber quem foi o mais popular neste ano e os assuntos que fizeram seus nomes irem parar no trending.
Governador do Estado, Paulo Câmara (PSB) liderou a web em Pernambuco em 2017, mas como foi visto com os presidenciáveis, isso não quer dizer que os assuntos relacionados ao socialista são positivos.
Entre os assuntos que levaram o governador ao topo das pesquisas está a citação em delação de Ricardo Saud, da JBS, em que Paulo e Geraldo Julio (PSB) teriam recebido propina em nome do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos. Eles alegaram que as informações eram inverídicas, “absurdas e inaceitáveis”. Mesmo com a fala de Saud, o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não citou Paulo Câmara ou Geraldo Julio em petição enviada ao Supremo Tribunal federal (STF).
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Paulo também esteve no topo quando 74% dos pernambucanos reprovaram seu governo em pesquisa realizada pela Uninassau. As fortes de chuvas de maio, que afetaram 44 mil pessoas e o racha no PSB, que culminou com a saída de Fernando Bezerra Coelho do partido, também elevaram o nome do governador.
Ele ficou à frente de outros possíveis candidatos com média de 26 numa escala de 0 a 100 em Pernambuco. Fernando Bezerra Coelho (PMDB), Armando Monteiro Neto (PTB), Bruno Araújo, Mendonça Filho (DEM) e Marília Arraes (PT) não passaram de 20 nos picos.
Em meio à crise de popularidade dos políticos no Brasil, devido aos escândalos de corrupção, fica difícil falar de política e não remeter à uma verdadeira avalanche de matérias negativas: condenações, casos de impunidade, pouco caso para com o bem público, escândalos financeiros, e outros temas.
Sendo assim, estar no topo das pesquisas não significa necessariamente algo bom. De acordo com Paulo Rebêlo, diretor da Paradox Zero, empresa pernambucana de análise de desempenho nas redes sociais, faz parte da sociedade buscar por assuntos negativos. “A tendência é social e antiga. Como diz o ditado: notícia ruim vende jornal, notícia boa não. As pessoas não procuram notícias negativas só em política. As pessoas procuram furacões e não calmarias, por exemplo”, disse.
Rebêlo ainda comparou as buscas no Google com as pesquisas nas redes sociais e disse que o comportamento dos usuários nas pesquisas é parecido. “As pessoas procuram essas notícias no Google e no Facebook. O que a rede social faz é ampliar o alcance daquilo que está sendo buscado numa escala que é definida por algorítimos. O algorítimo trabalha com tendências, ele identifica e aumenta o alcance para interessados e como essas notícias ruins são buscadas, acabam gerando maior engajamento. O algorítimo não tem partido, nem ideologia, ele vai atrás das tendências do interesse das pessoas e as pessoas procuram coisas ruins”, comentou.
Jc Online