Publicada em 04/11/2017 às 11h26.
Alagoas vai ganhar, em breve, laboratório para investigar crimes cibernéticos
Agente da PC alagoana integra equipe nacional que está estruturando projeto

Leonardo Andrade integra equipe de inteligência na Senasp

FOTO: REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Desde que a internet surgiu e as redes sociais viraram a melhor companhia das pessoas, as autoridades policiais do mundo passaram a receber muitas demandas de delitos cometidos no ambiente virtual. No Brasil, há avanços para combate à prática, como a Lei Carolina Dieckmann, sancionada em 2012 e que tipifica os chamados crimes informáticos, e o Marco Civil da Internet, de 2014, mas a polícia tem dificuldade em apresentar resultados de investigações desta natureza. Uma das propostas em estudo é a criação, em breve, de laboratórios de crimes cibernéticos nos estados. Alagoas será um dos beneficiados.

Um policial civil do estado compõe a equipe nacional formada por agentes de várias localidades do País que trabalha justamente neste projeto. O Ciber Lab está sendo planejado na Diretoria de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça. A proposta dos estudiosos é proporcionar melhor estrutura física e logística para investigação de delitos cometidos no ambiente virtual, além de capacitar os policiais para apurá-los com afinco.


O agente de polícia Civil Leonardo Andrade é baiano, mas é concursado da instituição alagoana desde 2002. Enquanto esteve aqui, atuou na área de tecnologia, inteligência e investigação de crimes cibernéticos. Também participou de seminários sobre o assunto. Tem formação em Direito, especialização em crimes cibernéticos e diversos artigos científicos publicados sobre a temática, fato que motivou o convite, no início deste ano, para que ele integrasse o seleto grupo que trabalha na elaboração do Ciber Lab.


"Vamos desenvolver um modelo de laboratório que, inicialmente, será implementado na Senasp. A partir desta fase, faremos todas as experimentações possíveis, e definição das tecnologias envolvidas. Com o modelo consolidado, será ofertado aos estados uma unidade do laboratório, com equipamentos, softwares e licenças e capacitação de policiais. O estado beneficiado só tem que garantir a estrutura física e os servidores", explica.


Segundo ele, o projeto de criação e implementação de Laboratórios de Crimes Cibernéticos e Fontes Abertas é justificado por causa do crescimento exponencial dos crimes cibernéticos, a falta de estrutura policial adequada, ausência de procedimentos investigativos específicos e escassez de policiais capacitados para a repressão desta modalidade delitiva.


"O nosso trabalho consiste em traçar um diagnóstico da situação nacional acerca de crimes cibernéticos e construir soluções que propiciem às polícias civis estaduais dar um melhor tratamento nesse tipo de crime, bem como ampliar a taxa de sucesso na elucidação destas ocorrências. Há também esforços no sentido de ampliar a capacitação de policiais neste tipo de crime", ressalta.

 

SENASP IDENTIFICA PEDOFILIA PELA INTERNET EM ALAGOAS

 

 

Leonardo, ao fundo, trabalha contra crimes cibernéticos no País

FOTO: REPRODUÇÃO/GLOBO NEWS

Além de estruturar o projeto dos laboratórios cibernéticos, a equipe da inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública atua em várias frentes com o intuito de identificar os criminosos virtuais. Uma delas e que repercutiu no Brasil inteiro foi a operação "Luz na Infância", que deteve em flagrante mais de 100 pessoas suspeitas de envolvimento com prática de pedofilia na internet. A ação teve um "braço" em Alagoas e foi coordenada pela Delegacia dos Crimes Contra a Criança e o Adolescente.


Um trabalho efetivo de inteligência do Ministério da Justiça e Segurança Pública em parceria com a Embaixada dos Estados Unidos da América no Brasil descobriu informações e evidências coletadas em ambientes virtuais de uma rede de exploração sexual infanto-juvenil em 24 estados. Em Alagoas, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, sendo um no bairro de Serraria, outro no Tabuleiro do Martins e o terceiro, no Jacintinho.


Aqui, não houve prisão em flagrante, mas computadores e aparelhos celulares foram apreendidos pelos policiais. O material está sendo submetido à perícia e, após a análise, não está descartada a possibilidade de os alvos serem presos, caso alguma evidência contra eles seja descoberta. A delegada Adriana Gusmão, da especializada, está ouvindo estas pessoas e deve concluir a investigação em breve.


A operação foi realizada de forma conjunta. Toda investigação cibernética e coordenação logística foram providenciadas pela Secretaria Nacional de Segurança Pública e coube às delegacias estaduais toda a parte operacional, como instauração de inquérito, representações por medidas cautelares junto ao Judiciário.


A ação, de acordo com a Senasp, teve como foco o armazenamento de conteúdo digital  contra dignidade sexual infanto juvenil, que é previsto como crime no Estatuto da Criança e Adolescente (Lei nº 8069/1990).


"Todos, na equipe, possuem ciência de seu papel institucional e social e não nos conformamos em ver, diuturnamente, pessoas sendo vítimas de crimes cibernéticos. Além disso, constatamos o aumento vertiginoso da criminalidade nesse ambiente. Por outra banda, percebemos que a resposta estatal ainda é tímida, em face das inúmeras dificuldades que permeiam o ambiente cibernético", avalia Leonardo Andrade.

 

EM ÁUDIO, ALAGOANA É ACUSADA DE SEDUZIR HOMENS PARA PASSAR HIV

 

Silaine Silva teve sua foto viralizada com áudio contendo boato

FOTO: THIAGO GOMES

Silaine dos Santos Silva tem 27 anos, mora no interior de Alagoas e ficou surpresa quando foi informada de que um áudio passava a mensagem de que ela teria o vírus HIV e fazia questão de seduzir, principalmente, homens casados para transmitir a doença. Uma foto da alagoana também estava sendo amplamente compartilhada nas redes sociais, sobretudo em grupos do WhatsApp.

 

Na gravação, com uma voz feminina, é dado um alerta para que os casais não sejam vítimas da suposta criminosa. A mulher diz que Silaine já teria ficado com, pelo menos, um homem casado e transmitido o vírus para ele. 


A jovem procurou a Gazetaweb para desmentir o que ela considera ser um boato. Diz que já procurou a Delegacia do Pilar, onde mora e foi orientada a prestar queixa na Delegacia da Mulher, em Maceió. Silaine não sabia que, em Alagoas, há uma seção na Deic que trata dos crimes cibernéticos.


Ela confirma que é a pessoa da foto compartilhada nas redes sociais e revela que a imagem foi tirada numa saída com um rapaz que conheceu por indicação de um amigo. Disse, ainda, que no mesmo dia em que a fotografia foi tirada recebeu a ligação de uma mulher, que se apresentava como esposa do rapaz com quem saiu, em tom de ameaças. 


Silaine negou ser portadora do vírus HIV e prometeu que faria o teste rápido para comprovar que não tem mesmo a doença.

 

ESTADO TEM MAIS CASOS DE ESTELIONATO E CRIMES CONTRA HONRA

 

Delegado Guilherme Iusten responde pela Seção de Crimes Cibernéticos

FOTO: FELIPE BRASIL

Em Alagoas, os crimes cibernéticos são investigados em qualquer distrito policial, mas há uma seção especializada, que funciona na Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic), responsável por apurar estes delitos também. O grupo é formado por dois policiais, sendo um deles com conhecimento técnico e outro com a atribuição cartorária.

 

O delegado Guilherme Iusten, da Deic, explica que esta seção tem competência de apurar os crimes cibernéticos próprios e auxilia as delegacias nos inquéritos, quando há uma solicitação tipificada. O policial Leonardo Andrade já atuou na equipe.


Ele revelou que, em Alagoas, casos relacionados a estelionato utilizando a internet, sequestro de dados com uso de Ransomware, além de crimes contra a honra, são os que mais são denunciados.


Segundo revela, há uma intenção e ação prática da Delegacia Geral de Polícia Civil do estado para investir em cursos técnicos solicitados pela Seção de Crimes Cibernéticos. A capacitação deixa, na avaliação dele, o policial atualizado constantemente de novas tecnologias utilizadas na rede mundial de computadores.


Iusten orienta que em qualquer situação em que se constate um crime praticado mediante o uso da internet, a vítima deve procurar a Polícia Civil. Porém, o delegado cita as dificuldades para avançar na investigação, tendo em vista que boa parte das informações dependem de sistemas ou sites que originaram o delito. O tempo acaba sendo um fato complicador.


"Após a identificação dos IPs dos autores, existe mais um lapso temporal para o recebimento dos dados cadastrais dos responsáveis por parte dos provedores de internet. O que é mais agravado quando as empresas são de origem internacional, como Facebook e Instagram", detalha a autoridade policial.


Três dicas fundamentais para evitar ser vítima de crimes cibernéticos:


 

  • Não expor detalhes da vida particular nas redes sociais; 
  • Efetuar compras apenas em sites conhecidos que garantam somente a liberação do pagamento após o recebimento e conferência de produtos;
  • Verificar sempre as URLs dos sites onde se efetuam compras online, se  realmente são as originais, pois qualquer letra ou caractere a mais em uma URL já direciona para um domínio diferente do previsto, onde se concretizam os golpes.

 


GW

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