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Alessandra de Cássia Laurindo é vice-presidente do Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de São Paulo (Foto: Arquivo Pessoal/Alessandra de Cássia Laurindo)
Em entrevista, ela disse que a data não é comemorativa e que deve ser considerada um trampolim para a análise da posição do negro na sociedade.
“A simbologia da data é em memória a Zumbi e não necessariamente uma festa de comemoração, mas sim o intuito é resgatar a memória da luta dele. É importante fazer uma reflexão, sobre qual o lugar que hoje o negro ocupa no mercado de trabalho, na universidade, enfim, toda a situação do avanço da luta negra”, afirmou.
De acordo com Alessandra, há um longo caminho a ser percorrido ainda nesta luta. Só para ter uma ideia, em 2016, a Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Araraquara (SP) recebeu 26 denúncias de racismo, mas ela estima que este número pode ser maior. "Chegamos a verificar registros diretamente ligados à delegacias e constatamos que a média é muito maior, em torno de cinco a sete casos por semana", disse.
A maior parte dos casos de racismo registrados aconteceu no ambiente de trabalho, em relações pessoais e discussões em comércios ou com vizinhança.
Alessandra disse que o racismo é um tema que deve ser abordado o ano todo e não apenas em um dia ou somente no mês de novembro.
"O racismo que está institucionalizado nos diversos espaços, na educação, na saúde, na segurança pública tem que ser debatido e revertido o ano todo, não só em novembro, porque o corpo da mulher negra, deixa de ser tocado quando ela vai ao médico, durante o ano todo, não só em novembro; os xingamentos são vomitados o ano todo, não é só em novembro, o assassinato majoritariamente de jovens negros ocorre o ano todo, não só em novembro", afirmou.
Para a vice-presidente do CPDCN, uma parte importante da luta contra o racismo e a igualdade social é o resgate da história.
“Quando vamos à escola, parece que a história do negro começou na escravidão, mas ela vem de antes, a partir dos reinados africanos. É importante resgatá-la pela questão do orgulho de quem nós somos, e ter noção da contribuição do negro com a sociedade de hoje”, disse.
Ela acredita que políticas públicas e orientação nas empresas podem diminuir a desigualdade e conscientizar as pessoas, mas sente que as ações ocorrem lentamente no país, sem muito apoio.
“As cotas são apenas um degrau para que ações afirmativas necessárias. A Lei Federal 10.639/03 sobre o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira, que é obrigatória para resgatar a história que nos foi negada, infelizmente não é seguida”, disse. “As empresas têm que se preocupar em incluir qualificações sobre a diversidade étnica racial, inclusive com o setor de recursos humanos”, completou.
Este ano, alguns casos de racismo ocuparam as manchetes. Em um deles, a Polícia Federal de Araraquara realizou a Operação Banda Ódio em São Carlos. Na ocasião, os policiais investigavam há seis meses uma banda que compunha letras de música com mensagens de ódio contra negros, judeus e mulçumanos e disponibilizava na internet.
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Em junho, o vídeo de uma manicure de São Carlos, que atingiu mais de 800 mil visualizações, relatava um caso de racismo sofrido por ela.Na ocasião, uma cliente teria agendado um horário com ela, as ao chegar ao local negou ser atendida por uma mulher negra.
No início de novembro, um guarda municipal registrou um boletim de ocorrência após ser chamado de macaco por um motorista da empresa que realiza o transporte coletivo de São Carlos. O motorista foi preso, mas pagou fiança e foi liberado. A empresa disse em nota que iria apurar o caso, e se necessário, tomar providências.
G1