Publicada em 21/11/2017 às 07h52.
Procurador afirma que opinião de novo diretor da PF é 'desnecessária'
O procurador Carlos Fernando criticou a declaração de Fernando Segovia sobre a condução da investigação em torno da denúncia apresentada contra Temer.

Segovia criticou a condução da investigação em torno da denúncia apresentada contra o presidente / Foto: Marcos Corrêa/PR

Segovia criticou a condução da investigação em torno da denúncia apresentada contra o presidente
Foto: Marcos Corrêa/PR

O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa da Lava Jato, classificou, nesta segunda-feira (20), como "desnecessária e sem relevância" a crítica do novo diretor da Polícia Federal, Fernando Segovia, à condução da investigação em torno da denúncia apresentada contra o presidente Michel Temer.

 

"Sua opinião pessoal é totalmente desnecessária e sem relevância, ainda mais quando dada em plena coletiva após a posse que lhe foi dada pelo próprio denunciado", diz um trecho da publicação do procurador em sua página no Facebook.


Declaração de Fernando Segovia

Em entrevista coletiva após a cerimônia de transmissão de cargo, o novo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, criticou a condução da investigação em torno da denúncia apresentada contra o Presidente Michel Temer. Para Segóvia, hoje há um ''ponto de interrogação no imaginário'' da população sobre o papel do presidente no crime de corrupção atribuído pela Procuradoria-Geral da República (PGR).


"A gente acredita que, se fosse sob a égide da Polícia Federal, essa investigação teria de durar mais tempo porque uma única mala talvez não desse toda a materialidade criminosa que a gente necessitaria para resolver se havia ou não crime, quem seriam os partícipes e se haveria ou não corrupção", disse. A denúncia contra Michel Temer foi baseada no episódio em que o ex-assessor do presidente Rodrigo Rocha Loures foi flagrado pela Polícia Federal saindo de uma pizzaria em São Paulo com R$ 500 mil supostamente pagos em propina pela JBS.


Polícia Federal e MPF

O novo diretor-geral da PF também destacou na solenidade que "há hoje uma infeliz e triste situação de uma disputa institucional de poder" entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF). "Mas confio muito no espírito de maturidade institucional e profissional dos membros dessas instituições, que neste momento têm a oportunidade de escrever um novo capítulo em sua história, deixando de lado a vaidade e a sede de poder, buscando um equilíbrio e entendimento em nossas ações em prol de toda a nação brasileira, pois o único que se beneficia com essa disputa é o crime organizado", comentou Segóvia.


A Procuradoria-Geral da República (PGR) propôs no Supremo, em abril do ano passado, uma ação pedindo para que seja declarada a inconstitucionalidade do trecho da lei de organizações criminosas que permite ao delegado de polícia firmar acordos. O Ministério Público Federal sustenta que o acordo pressupõe a participação dos agentes que são parte no processo - o que engloba a instituição, mas não a Polícia Federal. O argumento é de que, como cabe ao MP fazer a denúncia, só o próprio órgão pode negociar os efeitos da acusação.

 

JC Online

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