
O submarino militar argentino "ARA San Juan" não mantém comunicações há uma semana, desde às 10H30 GMT (08H30 Brasília) do dia 15 de novembro, e está sendo procurado por equipes de diversos países.
Se o submarino está submerso e sem energia para pedir socorro e chegar à superfície para renovar o ar, os 44 marinheiros a bordo teriam sete dias de oxigênio. Considerando-se que o ar não foi renovado desde o último contato, a tripulação já estaria morta. "Se está no fundo, há poucas chances de sobrevivência", declarou um ex-submarinista sul-americano que pediu para não ser identificado.
Se ocorreu uma explosão ou incêndio a bordo, as possibilidades de sobrevivência são mínimas. Isto explicaria porque as balizas de emergência não foram ativadas.
Se está na superfície, à deriva, o submarino flutua. "Na superfície estaria em uma situação instável mas segura. Em um mar bravo, seria sacudido com força, mas não afundaria", declarou Dominique Salles, um ex-comandante francês de submarino. O almirante argentino Guillermo Delamer avalia que se está na superfície será "detectado pelos radares".
O comandante do submarino, capitão de fragata Pedro Martín Fernández, informou à base um problema nas baterias.
Em uma comunicação posterior, na manhã do dia 15 de novembro, Fernández comunicou que seguia para a base naval de Mar del Plata, onde deveria chegar no dia 19 ou 20.
Os navios e aviões realizam buscas em uma zona de 500.000 km2 para detectar o submarino, concebido para não ser detectado.
Nesta região, a profundidade das águas é de entre 200 e 350 metros, e há muitos barcos de pesca.
No total, 14 navios, 12 aviões e 4 mil homens participam das operações de busca, que incluem contingentes de Brasil, Alemanha, Canadá, Chile, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, França, Noruega, Peru, Grã-Bretanha e Uruguai.
Dominique Salles destaca a dificuldade da tarefa. "Uma torre de submarino é um conjunto metálico de menos de 10 metros de comprimento por 3 ou 4 metros de altura. Em um mar com ondas de 7 a 8 metros, como ocorre nos últimos dias, é difícil detectá-lo".
Fabricado na Alemanha em 1983, o submarino de 65 metros foi incorporado à frota argentina em 1985.
Em 2014 passou por manutenção nos estaleiros Tandanor de Buenos Aires e para a Marinha estava "totalmente operacional".
Em tempos de paz, o submarino é usado para o controle da pesca ilegal nas águas argentinas do Atlântico Sul, onde numerosos navios estrangeiros se aventuram regularmente.
A Argentina tem outros dois submarinos: o "San Luis", em reparos, e o "Salta", atracado na base de Mar del Plata.
Dois navios zarparam do porto de Comodoro Rivadavia com militares americanos equipados com material de resgate: dois mini submarinos de controle remoto e cápsulas de resgate para os 44 tripulantes do "ARA San Juan".
O hospital de Comodoro Rivadavia está em alerta para receber os submarinistas.
JC