Publicada em 25/11/2017 às 08h29.
Paulo Câmara: novo presidente terá legitimidade para fazer mudanças
Ao falar sobre a reforma da previdência, Paulo Câmara disse que o Governo Temer precisava discutir a pauta com a sociedade.

Paulo durante posse de novo secretário / Foto: Aluisio Moreira/SEI

Paulo durante posse de novo secretário
Foto: Aluisio Moreira/SEI
Da Editoria de Política

Com informações do repórter Cássio Oliveira

 

Após a posse do novo secretário estadual de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude, Cloves Benevides, realizada nesta sexta (24), o governador Paulo Câmara afirmou que apenas um novo presidente terá a legitimidade para fazer "mudanças profundas" que o País precisa, como a reforma da Previdência Social. 


Para Paulo, o governo de Michel Temer (PMDB) deveria discutir melhor a pauta com a sociedade. “Vou dar uma olhada nesse projeto, mas em princípio, acredito que o governo iniciou errado essa discussão e agora precisa sentar na mesa com todo mundo. Não pode ser assim da forma que quer ser feita, mandando o projeto mais uma vez  para o Congresso sem discutir com as pessoas. O momento exige que se discuta, se der para aprovar alguma coisa, que seja consensual e que se aprove, mas  em termo de legitimidade, acho que só um próximo presidente, discutindo em 2018 efetivamente esse tema, vai estar legitimado pelas urnas a fazer as mudanças mais profundas que o País precisa", comentou.


Na última quarta-feira (22), o presidente Temer apresentou a nova versão da reforma da Previdência em jantar com a base aliada. Ele manteve regras mais rígidas para aposentadorias de servidores públicos em comparação com os trabalhadores da iniciativa privada. O tempo de contribuição mínimo dos servidores foi mantido em 25 anos. Já para o setor privado ficou no atual, de 15 anos.


BANCADA PERNAMBUCANA CONTRÁRIA À REFORMA

A nova versão da reforma da Previdência parece não ter surtido efeito na bancada pernambucana. Dos 25 deputados federais do Estado, doze declararam voto contrário ao projeto apresentado pelo governo e quatro afirmam que vão votar a favor. Outros quatro deputados não quiseram responder, pois estão analisando a matéria e cinco não foram encontrados pela reportagem.


Nessa quinta, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), alertou que o prazo que o governo tem é curto para aprovar a reforma da Previdência na Casa este ano. Maia alertou que a medida é urgente e que a recuperação econômica dos últimos meses corre risco de ser perdida se a reforma não for aprovada. "Tudo isso pode ir embora se nós perdermos essa janela de oportunidades", declarou.


Maia lembrou que o governo ainda não tem os 308 votos necessários para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em dois turnos, mas que, na última quarta-feira, os técnicos fizeram uma demonstração clara da urgência da medida.


Entre os pernambucanos contrários à reforma está o deputado federal Daniel Coelho (PSDB), que criticou o governo Temer por liberar emendas às vésperas de votações. “Meu voto está definido. Não dá para analisar proposta de um governo que fala em equilíbrio das contas e compra votos com dinheiro público para aprovar a reforma. Meu voto é contrário”, afirma o tucano.


Por outro lado, o deputado federal Augusto Coutinho defende que “o País precisa de fato fazer as reformas”. Ele ressaltou que o texto anterior estava “muito complicado, muito ruim”, e que as mudanças melhoraram sensivelmente. Já Luciano Bivar foi além: “A minha posição é simples. Ou faz a reforma, ou quebra de vez”, comentou.


Contrário à reforma, o socialista Tadeu Alencar (PSB) afirma que faltou interesse do governo Temer em dialogar com a sociedade. E que o debate não vai ser feito em duas semanas. “A nova proposta reduz alguns agravos que havia, mas continua a não ter condições de receber apoio, porque faltou sobretudo um debate sobre um modelo que pudesse ser justo, equilibrado e pactuada com a sociedade”, salientou.


Alguns dos 25 como Creuza Pereira e Cadoca podem não votar caso os deputados que estão licenciados retomem seus mandatos. Entre os licenciados, os secretários Kaio Maniçoba (Habitação) e Sebastião Oliveira (Transportes) afirmaram que não devem voltar à Câmara para votar na matéria. Já o secretário Felipe Carreras (Turismo), disse que se for necessário reassumir o mandato, seguirá a orientação do PSB, que hoje é contrário à reforma.


Entre os ministros que podem voltar aos mandatos, Mendonça Filho (Educação) não foi localizado e a assessoria de Fernando Filho (Minas e Energia) afirma que caso volte, o ministro votará em favor do governo Temer, ou seja, a favor da reforma.

 

Jc Online

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