
O homem suspeito de queimar a ex-companheira viva com gasolina em Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife, teve a prisão preventiva solicitada pela Polícia Civil. O pedido de prisão está sendo analisado pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Edvaldo de Moura Oliveira, de 32 anos, conhecido como Vado Moura, está foragido desde o dia do crime, no último dia 8 deste mês. A vítima, Mirela dos Santos Oliveira, de 26 anos, estava internada no Hospital da Restauração (HR), área central do Recife, porém, sofreu uma parada respiratória e morreu na última quinta-feira (23). Mirela foi enterrada na tarde da sexta-feira (24), no cemitério público de Abreu e Lima. A jovem deixou dois filhos, um garoto de quatro anos e uma menina de sete.
O delegado Carlos Barbosa, responsável pelo caso, disse que o crime sempre foi tratado como tentativa de homicídio, mas não podia prender o suspeito sem um mandado de prisão. "Agora tendo em vista a vítima ter morrido, o caso já está sendo tratado como homicídio, inclusive com a qualificadora de feminicídio", frisou. "Quem pegar esse inquérito, vai pegar um procedimento policial com ouvidas, diligências e sobretudo com o mandado de prisão pronto para ser executado", disse o delegado.
Segundo familiares da vítima, Mirela estava separada de Vado Moura há cerca de um mês. Porém, o homem não aceitava o fim da relação. Ele foi até a casa dos pais dela na noite do dia 8 de novembro, onde ela estava morando, jogou gasolina em seu corpo e ateou fogo na frente do próprio filho de quatro anos. A jovem chegou a se jogar em pelo menos duas caixas d'água para apagar o fogo, mas as chamas não acabavam e ela teve 90% do corpo queimado. O padrasto da vítima tentou impedir o ataque do ex-genro e acabou fraturando a perna. O homem passou por cirurgia na quarta-feira (22).
Uma ex-companheira de Vado Moura, que preferiu não se identificar, compareceu ao enterro de Mirela. A mulher contou que viveu com o suspeito durante sete anos e que começou a sofrer agressões verbais e físicas do homem nos dois últimos anos de convivência. Em setembro de 2010 ela conseguiu romper relações com Vado, mas ele não aceitava a separação. E de acordo com a mulher, o homem tentou mata-lá em março de 2011. Ele foi até o trabalho dela e desferiu cinco golpes de faca na ex-companheira, que foi socorrida por colegas de trabalho.
"Meu sentimento primeiro é de revolta porque a gente vê que Justiça poderia ter feito algo para que não chegasse a ocorrer esse crime. E tristeza porque é uma família que foi destruída, filhos vão ficar sem mãe. Quero que a Justiça seja feita na sua medida certa", expressou a mulher.
JC