
Era mais um expediente comum na vida do soldado do 10º Batalhão da Polícia Militar Péricles da Silva Albuquerque, 37 anos, oito deles servindo à corporação. Chamado para atender uma ocorrência na área rural de Palmares, Zona da Mata Sul de Pernambuco, o policial recebeu a informação de que seria um homicídio durante uma briga de bar. Ao chegar ao local, constatou que a vítima, o servente de pedreiro José Augusto da Silva, 44 anos, ainda estava viva. “Ele tinha cinco ferimentos e sangrava muito, então utilizei dos meios que tinha ali para estancar o sangue, enquanto aguardava o socorro chegar. Por conta da demora, percebi que ele começou a desistir de viver”, contou o soldado.
Mas Péricles, evangélico da Igreja Assembléia de Deus, não tinha desistido. “Quando ele me olhou e balançou a cabeça negativamente, eu decidi que iria orar para quem poderia salvar a vida dele. Fechei meus olhos e clamei a Deus que salvasse aquela vida”, explicou. A vítima foi socorrida logo em seguida e sobreviveu. A atitude do soldado rendeu ontem uma homenagem da Polícia Militar. O policial foi recebido pelo comandante-geral da corporação, coronel Vanildo Maranhão, e é um dos candidatos a receber a medalha de honra ao mérito militar.
Para o soldado, que recebeu congratulações das corporações de Estados como São Paulo, Minas Gerais e Amazonas, sua atitude ajuda a quebrar um estereótipo que existe sobre a Polícia Militar no País inteiro. “A sociedade tem essa imagem de que o policial é um robô, só tem a função de prender, de atirar, não tem coração. Essa situação que eu vivi é muito vivida por outros policiais, só não é divulgada”, afirmou. “O que falta na polícia é cada um fazer o seu melhor, e não questionar, criticar. Se você procurar fazer o seu com o pouco que tem, sempre vai fazer a diferença”, completou.
A atitude do policial, gravada por populares, viralizou na internet com 600 mil visualizações até a tarde de ontem, surpreendeu os internautas, mas não a sua família. “Péricles tem o coração muito bom, e isso inspira qualquer pessoa. O que ele é na rua, é em casa”, afirmou a esposa, Driele Albuquerque, 31. “Ele não é apenas um bom filho, é também um bom pai e uma boa pessoa”, completou Maria José Silva, 70 anos, mãe do soldado.
JC