
Um dia depois da inauguração de uma obra que atrasou três anos para ser entregue, o boulevard da Avenida Rio Branco, Bairro do Recife, a população se pergunta quanto tempo mais vai esperar para ter acesso a outros equipamentos públicos. O ano termina e eles continuam de portas fechadas. Alguns, em obras, foram prometidos para este mês, como o novo módulo do Cais do Sertão e a requalificação do Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, Grande Recife. Outros continuam interditados, sem sinal de reforma, como o Teatro do Parque, Centro do Recife, fechado desde 2010.
No segundo módulo do Cais do Sertão, o que se vê é um tapume que fecha a área e entristece uma das vistas mais privilegiadas da capital. “O turista sai com impressão negativa”, destacou Eduardo Cavalcanti, da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Pernambuco (ABIH). “Ele vê apenas um pedaço do museu. Não é bom. Quando o visitante vai embora satisfeito, diz para todo mundo que não deixe de ver o Cais. Se sai com imagem negativa, a repercussão é contrária”, completou. A Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer do Estado (Setur) afirmou que o módulo será concluído em fevereiro de 2018 e que “a alteração no cronograma foi necessária por mudanças no projeto”. A obra começou em abril de 2016 e ficou dois meses parada no mesmo ano. O trabalho, orçado em R$ 25,5 milhões, prevê a construção de um edifício de cinco mil metros quadrados, anexo ao prédio em funcionamento. Haverá, entre outros, um bar/café no térreo e um restaurante na cobertura.
Também prometida para dezembro de 2017, a inauguração do Eufrásio Barbosa ficou para fevereiro de 2018. O local está fechado desde 2015. Taxistas que dependem do movimento da área reclamam do prejuízo. “O turista que não vem mais era o meu cliente. Fechado esse tempo todo não ajuda ninguém”, lamentou o taxista Cleonildo Lacerda, 48, há 18 na praça. A Setur justifica o atraso com o mesmo argumento do Cais, “mudanças no projeto”, mas diz que mais de 90% dos serviços foram executados e a fase é de acabamento.
Mais um ano termina e o Teatro do Parque, na Rua do Hospício, no Centro, continua interditado. Justamente o ano em que o local completa 102 anos. Diversos protestos foram realizados em 2017 pela reabertura. Em agosto, artistas e produtores culturais criaram o movimento Ocupe Parque. Para o ator e integrante do grupo Cláudio Ferrário, 60, por ser um local popular, de preços acessíveis, a interdição é ainda mais dramática. “O que fica é a impressão de que o poder público não tem interesse.” A prefeitura garantiu obras no primeiro trimestre de 2018.
Jc Online